Publicidade
Editorial

A falência do transporte público em Manaus

21/10/2017 às 16:50 - Atualizado em 21/10/2017 às 16:57
Show show onibus0333

É absurdo mas, diariamente, milhares de manauaras pagam - e pagam caro - para passar por desconforto, constrangimento e insegurança nos ônibus que atendem o sistema de transporte coletivo da capital. Como se não bastasse a superlotação dos horários de pico, as frequentes panes mecânicas e o risco permanente de assalto, os passageiros da linha 029, da empresa Açaí, convivem com a precariedade dos veículos, já sem nenhuma condição de operar no transporte urbano. Conforme foi flagrado pela equipe de reportagem do jornal A CRÍTICA, os passageiros dessa linha precisam sair do veículo e subir a ladeira da avenida Sumaúma, no bairro Monte das Oliveira, na Zona Norte, a pé. O constrangimento é obrigatório porque o carro não tem força para subir o aclive lotado, pondo em risco a segurança dos passageiros e demais condutores que trafegam naquela via.

Uma cena vergonhosa que deveria motivar o poder público a tomar imediatas providências. Nunca é demais ressaltar que o transporte coletivo é responsabilidade da Prefeitura de Manaus, um serviço que as empresas de ônibus prestam mediante contrato com o Executivo Municipal.

Há regras a serem observadas, inclusive quanto à conservação da frota e segurança dos passageiros. No entanto, são quase 300 ônibus com 10 anos ou mais de uso que ainda estão circulando pelas ruas da cidade. Uma situação temerária que precisa ser resolvida.

Como poder concedente, a Prefeitura tem a obrigação de fiscalizar a situação dos ônibus e a prestação do serviço à população. A SMTU, a quem cabe fiscalizar informa que está “atenta à esta necessidade de renovação da frota e tem utilizado os mecanismos previstos na legislação para cobrar das empresas a aquisição de novos ônibus”. Não é o que se vê nas ruas. O Sindicato das Empresas de Transporte (Sinetram) silencia sobre a questão.

Enquanto isso, os usuários do sistema público de transporte seguem pagando passagem de R$3,80, esperando pelo cumprimento das promessas do prefeito Artur Nego, entre elas, a aquisição de pelo menos 200 novos ônibus para capital que deveriam ser entregues em março, com ar-condicionado e WiFi. Até agora, segundo o Detran-AM, apenas 30 novos ônibus entraram no sistema, sem as prometidas melhorias.