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Editorial

A falta de uma política de segurança

25/05/2018 às 22:59
Show droga

Os números revelados pela Operação Ágata, realizada pelo Comando Militar da  Amazônia (CMA) mostram o quanto o narcotráfico permanece vigoroso na zona fronteiriça da região e reforçam a proposta antiga sobre a implantação de uma política de segurança que ultrapasse modelos tradicionais impostos. A própria atuação do Exército enfrenta dificuldades diante da redução drástica de recursos financeiros e da deterioração de equipamentos sem os quais é impossível desenvolver um plano efetivo de segurança na tríplice fronteira do Amazonas com o Peru, a Colômbia e a Venezuela.

Nesta ação composta de 170 operações realizadas desde janeiro deste ano foram envolvidas regiões do Alto e Médio rio Negro; Alto e Médio rio Solimões, Içá e Japurá; o Estado de Roraima; e do Acre e Rondônia. O balanço ora divulgado aponta, entre outras abordagens, a apreensão de 6.674 quilos de drogas ilícitas, 26.704 metros cúbicos de madeira ilegalmente extraída; 77.557 litros de combustíveis indevidamente adquiridos;  68 armas de fogo; 87 autos de prisão em flagrante delito.

A Amazônia, em especial o Estado do Amazonas colocado como um dos principais corredores do tráfico de drogas do País é palco de uma longa história de omissão do estado. As tentativas de integração da Amazônia ao País seguem determinações externas e equivocadas que se revelaram fracassadas a cada investida. O nível de abandono em que vivem as populações de fronteira é elevado e facilita que outras ações avancem e envolvam números cada vez mais altos de famílias. Organizações de narcotraficantes encontram enormes facilidades para instalar suas bases nesses municípios e envolver pessoas desses lugares, principalmente jovens e adolescentes.

Os governos costumam episodicamente fazer discursos inflamados sobre planos para a região de fronteira na parte ocidental da Amazônia, mas não passam desse nível e quando o fazem é pela opção de retroceder adotando modelos externos incompatíveis com a realidade amazônica. Por outro lado, a incapacidade governamental de manter um diálogo efetivo com os demais países por meios dos diferentes setores (de serviços, empresariais, de educação e mesmo militar) agrava a situação. Os pactos pan-amazônicos não apresentam vigor e seus documentos costumam ser esquecidos nas gavetas da burocracia paralisante. Resta, quase isoladamente, ao Exército realizar operações que, neste sentido, é apenas uma parte de um elenco de medidas que deveriam ser tomadas.