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Editorial

A festa do protesto nacional

14/02/2018 às 21:34 - Atualizado em 14/02/2018 às 22:45
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O Carnaval encerrado na maioria das cidades brasileiras na quarta-feira de cinzas deixa, este ano, lições marcantes. A maior festa brasileira e uma das maiores festas populares do mundo levou para as avenidas, ladeiras, praças e ruas um grande protesto ritmado, colorido, e profundamente performático. A arte e a criatividade deram as mãos para dizer, por meio do Carnaval, que basta de corrupção, de omissão dos governos, dos legisladores e do judiciário.

A dança da revolta e de críticas contundentes se espalhou nos centros das cidades brasileiras onde milhares de pessoas deram outro tom à folia de momo. Um espetáculo que envolveu torcidas, comunidades, mas, acima delas envolveu o sentimento dos brasileiros que estão sendo atacados em sua dignidade, mortos, sequelados, destituídos dos seus sonhos. O Carnaval deste ano será inesquecível pela instituição do movimento nacional de resistência aos desmandos e às ilegalidades oficiais.

Mostrou oportunidades de uso das festas populares para reafirmar a defesa dos direitos conquistados e hoje ameaçados. Espalhou o sal se fez palco da indignação popular numa forma muito própria de reagir. Cantando e dançando os foliões produziram eco do inconformismo à falta de respeito, ao preconceito, à discriminação, ao autoritarismo e conservadorismo. Os que constituem os três poderes do País fartamente representados nos enredos e nas alegorias ainda que confiantes na vigência do sistema de impunidade sabem que estão na berlinda.

Por meio dos desfiles, o Carnaval apresentou recortes das diferentes realidades brasileiras. Não somente para impressionar pela capacidade de confecção desses blocos de realidades e sim convocar os filhos do Brasil a ação de enfrentamento ao desmonte da infraestrutura nacional e aos ataques diários que sofrem por ações combinadas entre o Governo Federal, Congresso Nacional e parte do Judiciário.

 Sambas de enredo foram compartilhados por milhares em diferentes regiões e cantados com vigor e emoção. Os ritmos, os sons em combinação com os passos dos foliões colocaram tempero cidadão nos desfiles. O Carnaval está banhado com ouros ingredientes dos quais os da leitura crítica da política e do poder ganharam centralidade. A Cultura abriu os braços longos e fraternos dessa festa para receber os inquietos, os que não se assujeitam e não têm medo de gritar, de perguntar o porquê de tanta exploração e violência.