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Editorial

A impunidade de face nova

19/11/2016 às 14:11
Show negra0333

As desigualdades voltam a ser tratadas como questão natural do processo de desenvolvimento da humanidade. O pensamento de que uns nasceram para prosperar e outros estão predestinados a viver na miséria vem sendo revitalizado e em torno dele: países, Estados, municípios e nessas unidades grupos de pessoas dão a esse tipo de entendimento suporte vital.

O cenário ora apresentado preocupa, pois legitima, pela violência, o triunfo do individualismo e a segregação por motivos econômicos, de raça e etnia. Um conservadorismo rematizado volta à cena em países detentores de enorme poder sobre a humanidade, como os Estados Unidos, ou no Brasil. O dado em comum é a volta às ruas de grupos extremistas da direita que se sentem autorizados e convocados a agir ignorando as leis. São pessoas que já não temem qualquer reação da Justiça ou de outros grupos diante dos crimes que praticam. Dão uma nova face à impunidade.

Nas redes sociais demonstram o que fazem, o que poderão fazer e quais são ou poderão vir a ser as suas vítimas.  Racismo, preconceito e discriminação acionados em larga escala tornaram-se práticas criminosas repetidas e enquanto as punições aos agressores se arrastam até serem efetivamente cumpridas.

O 20 de Novembro é uma data estratégica para que os brasileiros pensem sobre a pratica racista que permanece forte no País e estimula ações hipócritas e de falsa moral como tática de forjar outros entendimentos dos brasileiros quanto ao racismo sob a alegação construída de que na há racismo no Brasil.

Basta uma avaliação um pouco mais aprofundada para que os brasileiros compreendam o tamanho do racismo nesse País. Os negros estão absolutamente em maioria na base da pirâmide social. São os que recebem os salários mais baixos, os que têm menor grau de escolaridade; e os que formam a maior parcela dos desempregados. Pior é, nesse contexto, a situação da mulher negra em condição ainda mais precária.

Os acirramentos de líderes conservadores atingem duramente as populações mais pobres e menos escolarizadas. Ou seja, negros e indígenas são tratados como gente inferior e seus direitos estão sendo rasgados. Escravagista, o Brasil tem uma dívida para com os povos cujos filhos foram arrancados e mandados para o País onde foram escravizados por longo tempo. É profunda a nódoa do Brasil para com a África. A democracia pede respeito aos povos, aos diferentes e igualdade de oportunidade.