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Editorial

A justiça em xeque

08/06/2017 às 22:12 - Atualizado em 08/06/2017 às 22:20
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O poder judiciário é o único que permanece, pelo menos por enquanto, relativamente incólume diante das chuva de denúncias envolvendo corrupção, agentes políticos e grandes empresas. Relativamente, porque delatores citam abertamento o envolvimento de juízes, desembargadores e até ministros da altas cortes do País em diversos crimes. O próprio presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Gilmar Mendes, já foi  surpreendido em conversas suspeitas ao telefone com o senador afastado Aécio Neves. Sobre isso, o Conselho Nacional de Justiça silenciou, assim como os pares de Mendes no TSE e no Supremo, onde também tem assento.

Por que isso? O consenso geral é que a Lava Jato chegou a um ponto crítico, com o Executivo e o Legislativo nas cordas, a ponto de se questionar a própria validade das instituições. O descortinamento abrupto do papel de agentes do Judiciário nos crimes investigados pela Lava Jato poderia significar uma ruptura capaz de lançar o País em uma situação muito mais nebulosa que a atual. Silenciosamente, em nome da estabilidade das instituições básicas da nação,  poupa-se o Judiciário de um escrutínio aprofundado.

Nesse contexto, temos um TSE que desempenha, hoje, um papel histórico ao julgar as graves denúncias contra a chapa vencedora na eleição presidencial de 2014. Todos os ministros, em algum momento do julgamento que já dura quatro dias, reconheceram que irregularidades foram cometidas e defenderam a necessidade de moralização política do País. Mas, em nome da alegada estabilidade nacional, o julgamento se encaminha para a abosolvição dos acusados. Algo muito sério acontece no momento que os juízes de uma das instituições de maior peso em nossa democracia resolvem julgar considerando o peso das repercussões políticas em seus votos.

Vale ressaltar o grau de comprometimento dos membros do TSE. O presidente da Corte não tem o menor constrangimento em atuar abertamente em função de interesses políticos. Dois dos membros atuais foram alçados aos cargos pelo próprio presidente Michel Temer e, obviamente, devem manifestar votos favoráveis à absolvição. Um outro ministro acaba de ter o sobrinho indicado a um cargo de relevo no Conselho Nacional de Justiça. É de se questionar que tipo de lisura a Corte pode ter. Infelizmente, a Justiça brasileira nos dias atuais é um retrato perfeito da situação caótica em que o País se encontra. E ao contrário do que se poderia esperar, o povo parece paralisado, atônito diante dos acontecimentos.