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Editorial

A lista de Michel Temer

22/10/2017 às 21:13 - Atualizado em 22/10/2017 às 21:14
Show 88

O presidente Michel Temer (PMDB-SP) ao tentar expor uma visão sobre a atuação dos médicos no Brasil reforça o racismo demarcador das relações do poder e da sociedade nacional. Disse o presidente: “vejo uma amálgama, uma mistura de médicas, médicos e até médico indígena, que foi até muito aplaudido” (reproduzido em ACRÍTICA, p.A5, edição de domingo).

Indígenas, negros, quilombolas podem ser o que quiserem e puderem ser na escolha de suas profissões, médicos, enfermeiros, advogados, artistas, engenheiros, jornalistas, professores, arquitetos, biólogos, arqueólogos... É lamentável e absurdo que um presidente de um país como o é o Brasil, formado numa história drástica de usurpação, matança de grande parte dos povos tradicionais, de longo período de escravidão e negação dos direitos das pessoas faça, na atualidade, comentário desse tipo.

Temer marca a trajetória tumultuada na Presidência da República por condutas que envergonham e constrangem os brasileiros mais lúcidos. Mantém uma permanente escala de compras de votos no Congresso Nacional ao ponto de o endividamento nesse negócio ter crescido em nível inadministrável e para atender a fome dos congressistas repassa aos cidadãos brasileiros a responsabilidade de pagar a conta. A portaria que altera o processo de fiscalização e controle do trabalho escravo é uma das contas, feita no molde que interessa a segmentos empresariais notadamente os do agronegócio. Mantém a Amazônia como produto vendável em várias frentes, recua numa delas diante da pressão internacional e, ao mesmo tempo, escancara outras.

A ideia ora apresentada como recusa e desdém de que indígenas não podem ser médicos é parte do pacote das condutas e do pensamento do presidente Michel Temer. Não é à-toa ou por desconhecimento que a Amazônia e os povos amazônicos são diariamente submetidos as trocas nos negócios entre o Governo Federal, o Congresso Nacional e setores empresariais nacionais e internacionais. A região é tratada como mercadoria para ser negociada no pior viés carimbado pela ignorância, a falta de respeito e de cumprimento das obrigações constitucionais. Temer, na condição temporária de presidente do País, exorbita de suas funções, omite-se em questões em que deveria em tempo ágil tomar decisões e amplia o desrespeito aos brasileiros de cuja sociedade os povos indígenas são parte.