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Editorial

A matriz violenta da política

26/09/2016 às 21:54
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As campanhas eleitorais, em grau maior ou menor, são espaços de manifestações violentas em todo o mundo. Os debates entre candidatos seguem direção idêntica e há formação de plateias ou de claques mobilizadas para festejar as violências. O dado mais presente é o de ligar o exercício da política ao campo da violência.

Especialistas informam e formam noções sobre as exigências de candidatos que dependem do voto popular se apresentarem incisivamente e bater nos concorrentes. Para alguns, a política só funciona mesmo se acionar essa lógica, sem ela não se faria política, nem campanha eleitoral.

Eleitores e a sociedade são convocados a refletir sobre a forte ligação entre política e violência e agir para mostrar que é possível abrir outro caminho e separar uma área da outra reconfigurando a conduta política, parlamentar e do executivo. Os novos valores reclamados pela maioria da população e citados repetidamente por candidatos em época de campanhas eleitorais necessitam ter espaço efetivo onde possam circular, ser vivenciados e respeitados. Fazer isso é erguer esteios por uma nova ordem política e cabe, principalmente aos jovens, o protagonismo da conquista diante do enraizamento e abrangência das práticas envelhecidas de fazer política.

O espetáculo ao qual candidatos a mandatos eletivos se prestam trata o eleitorado como se permanecesse uma grande massa de manobra incapacitada de ver, sentir e agir. Estimular a manutenção desse espetáculo é insistir no empobrecimento e aniquilamento total da política e do parlamento. Diz-se de outra forma que serão os mais violentos, os mais habilidosos na arte de mentir e de produzir cenas de efeito relâmpago os que irão sair vitoriosos nos processos de disputa. Quem chega ao parlamento ou à prefeitura por esse caminho dificilmente terá condições de alcançar o que quer a maioria dos eleitores e da sociedade que, em linhas gerais, é segurança, estabilidade, credibilidade dos eleitos, vida com mais qualidade.

A esses indicadores estão diretamente vinculados os quesitos Saúde, Educação, Moradia, Transporte, Valorização das Culturas, Iluminação, Saneamento Básico e a compreensão da urgência de elaborar outras rotas de desenvolvimento municipal. Quando a violência política se torna matéria-prima da atividade política a maioria perde, a cidade perde, apenas uns poucos ganham e o que ganham é passageiro porque também eles serão vítimas dessa matriz.