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Editorial

A mentira não pode prevalecer

31/03/2018 às 15:46 - Atualizado em 31/03/2018 às 16:02
Show marie

A mentira propagada por meio das redes sociais em notícias falsas nunca teve um alcance tão amplo. O cenário é tão difícil que, em alguns casos, mais de 60% das postagens relacionadas a determinado assunto são mentirosas. As fake news tornaram-se armas políticas que tendem a ser usadas com intensidade cada vez maior à medida que a disputa eleitoral se aproxima. O desafio das autoridades é identificar a origem de cada notícia falsa, geralmente portais com muitos seguidores a serviço de movimentos extremistas, e enquadrar os responsáveis. Ao internauta cabe a tarefa de duvidar sempre.

Um dos grandes problemas do combate às notícias mentirosas é que, frequentemente, são mentiras que as pessoas querem ouvir. Ficam tão satisfeitas com aquela informação que imediatamente a tomam por verdade e ajudam a disseminá-la. Um exemplo é o caso da vereadora Marielle. Como era uma ativista de esquerda, mulher e homossexual, foi logo demonizada pelos simpatizantes da extrema direita, que não titubearam em disseminar notícias falsas a respeito da vereadora, já que eram “notícias” que vinham bem a calhar e estavam alinhadas com seu sentimento anti-esquerdista. A Justiça ordenou a retirada das publicações com notícias falsas das redes sociais, mas a essa altura, para o cidadão médio, já não há muita diferença entre mentira e verdade. Outro exemplo recente envolve o ataque à caravana do ex-presidente Lula na semana passada. Mais da metade das notícias relacionadas ao ocorrido são falsas. Está em andamento no Brasil uma guerra informativa alimentada por movimentos extremistas tanto de direita quanto de esquerda. E quem está no fogo cruzado é o eleitor.

Separar a verdade da mentira não será uma tarefa fácil e não pode ficar exclusivamente a cargo dos internautas. Os meios de comunicação digitais também tem sua parcela de responsabilidade e já estão começando a assumi-la. Em vez que esperar decisões judiciais determinando a retirada de conteúdos, o Facebook está tomando a iniciativa de analisar possíveis perfis falsos ou disseminadores de fake news e excluí-los preventivamente. Instituições como a Associação Nacional de Jornais (ANJ), Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estão empenhadas em campanhas contra as fake news, pois sabem que fundamental é a conscientização da população.