Sábado, 07 de Dezembro de 2019
Editorial

A miséria do Brasil


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09/11/2019 às 21:27

Os números revelados pela pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há três dias, revelam o tamanho da miséria a que o País está submetido. São mais de 13 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza e, aproximadamente o mesmo número de trabalhadores desempregados.

Se o mapa da miséria aponta para uma situação grave, as medidas governamentais em 11 meses empurram as famílias brasileiras a um quadro mais caótico. Uma das características que sobressai nas decisões tomadas pelo Governo Federal é a ampliar a presença do setor privado e reduzir a do Estado em várias áreas, o que significa que a venda de serviços será intensificada e para ter acesso a eles será necessário ter poder de compra. Os pobres, em realidades com esse perfil, são submetidos a maior empobrecimento e os que estão na linha da miséria a indigência.

O modelo de gestão proposto para os bens públicos do Brasil se aproxima muito do que fez os governos da Argentina e do Chile. À época, a implantação dos planos   econômicos desses países eram festejados no Brasil como exemplo a seguir. Especialistas se revezavam na mídia para promover explicações sobre as vantagens dessas medidas e como os dois países conseguiram superar crises. O que se assiste na atualidade é exatamente o contrário. Chile e Argentina vivem explosões de protestos, as condições de vida foram agravadas e as populações decidiram ir às ruas dizer que não aceitam o remédio oferecido pelos governos. Os defensores dos planos econômicos argentino e chileno silenciaram enquanto o Brasil segue numa direção muito parecida.

As medidas que acabam de ser propostas pelo Governo e aprovadas pelo Congresso Nacional bem como o mais recente pacote de reforma não consideram o tamanho do fosso de desigualdade que foi recentemente alimentado no País. A pesquisa do IBGE enumera uma série de indicadores importantes que deveriam merecer atenção maior por parte das equipes do primeiro time do governo a fim de evitar que, na sagacidade de fazer negócios com investidores externos, submetem os brasileiros, em sua maior parcela, a convulsão socioeconômica.

A forma como está sendo entregue setores estratégicos do Brasil a grupos internacionais acelera o processo não para responder positivamente a superação da miséria e da pobreza e sim para manter a desigualdade com todos os seus efeitos.

Foto: Wilson Dias/ABR/Veja


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