Terça-feira, 23 de Julho de 2019
Editorial

A outra parte do espetáculo


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26/06/2019 às 08:01

Daqui a dois dias, Parintins se entregará à festa dos bumbás. Dados do Governo Estadual indicam que aproximadamente 65 mil pessoas estarão na ilha, na região do Baixo Rio Amazonas, para brincar de boi. De acordo com essa estimativa, serão 5 mil visitantes a mais na comparação com o número do ano passado.

O Festival Folclórico de Parintins testa, a cada ano, possibilidades de avançar tanto no espetáculo que apresenta nas três noites quanto nos arranjos produtivos e na geração de emprego e renda. Desde o mês de março, setores como o de hotelaria e o gastronômico já trabalhavam o panorama sobre os efeitos da festa este ano e, na maioria dos indicadores, o resultado era animador. No mês de maio, alguns hotéis do município já estavam com reservas lotadas. E no setor de alimentos, a movimentação também seguia a previsão otimista de alta na venda dos alimentos.

A força da brincadeira dos bumbás ganha elementos motivadores para lotar a ilha de gente curiosa em conhecer, participar, e reviver o festival. O que é positivo. Ao mesmo tempo, tanto as organizações dos bumbás como os representantes governamentais são cada vez mais cobrados para completar aquilo que seria a outra parte da função de um espetáculo dessa abrangência. Desenvolver um plano de investimento em curto, médio e longo prazo na cultura parintinense, incentivar as boas práticas, o respeito, promover uma outra convivência com o meio ambiente do lugar e demonstrar, no município, a outra importância da festa que é a de confirmar a melhoria efetiva da qualidade vida da população parintinense.

Os bumbás enquanto espetáculo realizam uma das festas mais bonitas do mundo. Reúnem talento, criatividade e beleza que fazem os corações baterem fortes, emocionam, alegram e promovem descobertas e aproximações espetaculares do imaginário amazônico. Se é possível fazer essa brincadeira tão grande, também será possível impulsionar desenvolvimento noutra perspectiva para o município, com meta de fazer de Parintins um modelo da gestão e da economia criativa que deu certo. O município, em função da festa, recebe uma fatia generosa de recursos financeiros, é vitrine para o Brasil e o mundo, mas falta a ação, o mais conjunta possível, para superar problemas graves e assegurar dignidade as pessoas que vivem na ilha. Esse é o desafio posto para a festa para além dos três dias do show.


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