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Editorial

A paciência acabou

24/02/2017 às 21:08
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Será um passo importante para nossa democracia se um dia o povo puder entrar sem restrições no Parlamento, seja para apoiar ou para criticar o poder público, sem risco de agressões e violência. Depois do que ocorreu na noite de quinta-feira, quando a população foi abandonada nas paradas de ônibus, tendo que engolir um reajuste ainda inexplicado pela Prefeitura de Manaus, a paciência acabou. A população chegou ao limite e exige ser ouvida. Não admite mais ser posta de lado quando se discute assuntos que terão impacto direto na vida de cada um.

Não adianta usar cacetetes e gás de pimenta. Não se deve jamais tentar barrar a entrada de cidadãos na Casa que eles sustentam com seus impostos e que  abriga aqueles que foram eleitos para lhes representar. Não foi a primeira vez que populares foram impedidos de entrar na Casa Legislativa.

Essa estratégia equivocada até funcionou na leitura da mensagem governamental na retomada dos trabalhos legislativos na Câmara, quando apoiadores do prefeito claramente designados para a tarefa, lotaram as galerias da Câmara Municipal de Manaus com faixas muito bem feitas contendo mensagens de aprovação à atual gestão municipal. No mesmo dia, críticos de Artur foram impedidos de manifestar seu desagravo, foram hostilizados e tiveram suas faixas rasgadas e retiradas daquela que deveria ser a Casa do Povo.

Ontem, porém, a história foi diferente. Em maior número e revoltados - com razão - diante da situação extrema e vergonhosa em que se encontra o transporte público em Manaus, membros de movimentos populares e estudantes não puderam ser contidos pelos “cães de guarda” de plantão. Ninguém é tão inocente a ponto de acreditar que em plena crise do transporte público, haja grupos organizados dispostos a, espontaneamente, promover manifestações de apoio ao prefeito de Manaus Artur Neto.

A responsabilidade recai sobre a Guarda Municipal, mas esses agentes não atuam sem coordenação, sem ordens para cumprir. Também é importante ressaltar que não foi apenas a guarda municipal que reprimiu os manifestantes. Seguranças do prefeito Artur Neto e pessoas pagas apenas para elogiar a gestão, fazendo-se passar por apoiadores espontâneos foram os primeiros a atacar aqueles que manifestavam opinião contrária em cenas lamentáveis que não deveriam ocorrer jamais.