Quinta-feira, 02 de Abril de 2020
Editorial

A pauta do pós-carnaval


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27/02/2020 às 07:20

O pós-Carnaval abre a porta para as pautas de peso no decorrer do novo ano e costuma ser um teste tanto aos representantes dos poderes executivo, legislativo e judiciário quanto às demais instituições e às organizações da sociedade. Neste ano, aos assuntos importantes, até agora tratados em segundo plano, agrega-se a eleição municipal, ponte estratégica aos projetos futuros dos quais se sobressaem as eleições presidencial e para o Congresso Nacional.

A figura do município envolve elementos fortes porque são nesses espaços que os acontecimentos ganham concretude e passam a ser avaliados positiva ou negativamente pela população. Questões cotidianas como o transporte coletivo, as condições das ruas da cidade, das escolas, das feiras e mercados, o tratamento do lixo, fornecimento e qualidade da água para consumo humano, iluminação pública, habitação, saúde traduzem percepções do tipo de vida que o município proporciona. Outros temas começam a ter importância nesse cenário, como o lugar da cultura, a violência de gênero e em todos os outros segmentos, o meio ambiente e o posicionamento da cidade nos rankings mundiais e nacionais de qualidade de vida.

O papel do prefeito e do vereador é fundamental para o avanço, retrocesso e paralisia das questões do município. Mundialmente vêm sendo centrais nos debates e tomada de decisão. No Brasil, o posicionamento do município e a percepção do morador dele não alcançaram, em geral, níveis mais avançados, algumas metrópoles acabam por sufocar as outras cidades e decidir nacionalmente o que é bom para todas. Propostas que deveriam ser tratadas pelo conjunto das forças de cada município e respeitar as suas especificidades, tornam-se imposições dos grandes centros. Isto vale desde os acertos político-partidário às formulações de projetos de desenvolvimento.

Os municípios, tratados dessa maneira, são sufocados e impedidos de conceber políticas ajustadas as suas realidades e obter respostas mais eficientes às demandas que surgem. Tratados como unidades de terceira classe, esses entes da Federação passam a funcionar, a exceção das grandes cidades, como moeda de troca nos acordos supostamente nacionais. A pauta da eleição municipal deste ano está sendo tratada desde o ano passado com voracidade, não pela lente do que interessa aos municípios brasileiros e sim aos dirigentes, pré-candidatos e aos partidos políticos. Está na participação crítica dos moradores das cidades, dos eleitores, dos segmentos sociais organizados a possibilidade de constituir uma frente importante diante deste quadro.
   
*Foto: Agência Brasil 
 


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