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Editorial

A paz precisa ser a prioridade

14/04/2018 às 16:41 - Atualizado em 14/04/2018 às 16:42
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Desde o final da década de 1980, durante a chamada “guerra fria”, marcada pela tensão entre Estados Unidos e a antiga União Soviética liderada pela Rússia, o mundo não via um risco tão grande de conflito armado entre várias nações. A interferência da Rússia, que apóia o governo Sírio, e dos Estados Unidos, que tem interesses na região – e não se trata especificamente da promoção dos direitos humanos – agrava o cenário de tensão e faz o mundo temer um conflito armado de proporções internacionais. Mais do que nunca, a paz precisa ser buscada.

O mundo não pode ficar passivo diante da catástrofe humanitária na Síria, com milhares de mortos, feridos e desabrigados, resultado da guerra civil que já se arrasa por sete anos. Mas a solução para o conflito precisa ser encontrada dentro da própria Síria. As Nações Unidas devem zelar pela preservação dos direitos humanos, proteção de civis e intermediar uma solução que ponha fim ao suplício da população. A interferência direta de outras nações, como o ataque comandado pelos Estados Unidos neste sábado, não contribui para a paz, ao contrário, adiciona mais combustível na fogueira. A Rússia, principal fornecedora de armas, materiais e treinamento ao governo de Bashar al-Assad, vai defender seu “cliente”.

A situação na Síria não é simples. Desde que obteve sua independência, logo após a Primeira Guerra Mundial, o país nunca viveu um período prolongado de paz plena. Uma série de golpes militares e tentativas de golpes culminou com o regime reconhecidamente autoritário comandado pelo presidente Bashar al-Assad há 18 anos. O governo de Assad sempre enfrentou  forte oposição interna, o que degringolou em uma guerra civil em março de 2011 e que se estende até hoje sem expectativa de um desenlace. Grupos armados tentam derrubar Assad que responde de forma cada vez mais violenta. Para piorar, o Estado Islâmico aproveita o caos que tomou conta do país para reivindicar áreas na região, atacando ambos os lados. Presa no fogo cruzado, a população tenta desesperadamente escapar da guerra buscando refúgio em outros países.

Uma solução pacífica tem que ser a prioridade. As Nações Unidas precisam restabelecer a interlocução com o governo de Assad e com o governo provisório. O problema é que não há consenso entre as nações, abrindo espaço para interferências como a liderada pelos Estados Unidos.