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Editorial

A polêmica da privatização da Eletrobras

22/08/2017 às 22:04
Show eletrobras

A privatização da Eletrobras já é uma decisão consolidada do governo federal. O processo, que já foi iniciado, deve ser concluído até junho do próximo ano. Para tentar tornar o projeto mais simpático, o ministro das Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, argumenta que a privatização pode resultar em conta de luz mais barata para os consumidores brasileiros, uma vez que a gestão será mais eficiente. Mas por que o poder público não pode empregar essa mesma eficiência e tornar a conta mais barata sem ter que privatizar uma estatal tão estratégica?  Por outro lado, especialistas no setor de energia avaliam que a projeção do ministro está equivocada e que conta ficará mais ainda mais cara. Isso porque a privatização marcará o fim do chamado regime de cotas, em que as usinas vendem a energia a preços fixos. O que passará a valer são os preços de mercado, o que vai pressionar as tarifas.

O governo nem chegou a considerar uma opção que poderia ser mais vantajosa para todos: sanear a gestão da estatal, modernizando a administração, identificando e corrigindo falhas e dotando a empresa da eficiência necessária para cumprir bem seu papel social. O cenário energético do País pós-privatização vai ficar mais claro em setembro, quando o governo federal enviar ao Congresso a Medida Provisória que vai detalhar o processo de “descotização” do sistema.

No meio político, a polêmica está instalada e promete fortes embates entre governistas e o que resta da oposição.

No meio do fogo cruzado, os 23 mil trabalhadores que temem por seu empregos. A Associação dos Empregados da Eletrobras (Aeel) promete greve e atos públicos contra a privatização da empresa. O governo está de olho no reforço de caixa que a venda trará para os cofres federais: pelo menos R$ 17 bilhões, suficiente para resolver os problemas financeiros da empresa e irrigar o orçamento público. Analistas avaliam, porém, que os impactos também devem ser considerados nessa equação. Até agora, o governo usa o discurso da redução da tarifa, que qualquer pessoa com conhecimento mínimo sobre o setor sabe que não é verdade. O enxugamento da administração em busca da eficiência é louvável, mas não pode ser feita sem considerar o impacto sobre o principal interessado: o consumidor.