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Editorial

A política de rebaixamento do Brasil

22/02/2018 às 21:45 - Atualizado em 23/02/2018 às 01:26
Show viol ncia

Os indicadores relacionados à percepção do combate à violência e de avanço na política de direitos humanos no Brasil, divulgados ontem, revelam porcentuais elevados da queda que o País  sofre nessas e em outras áreas. Os estudos feitos por organismos internacionais com larga experiência nesse tipo de monitoramento, reunidos, montam um quadro crítico e perverso ao qual o Governo, o Legislativo e o Judiciário submetem a população brasileira.

O discurso do desgoverno aparece como expressão sem efeito diante de atos que a cada dia agravam a governabilidade como se não houvesse nenhuma importância o agravamento das condições do Estado de Direito diante de agressiva formação de acordos entre os poderes para garantir situações que estão no limite da exceção.  As manobras governamentais após o impedimento, por falta de apoio, de aprovação da proposta de reforma da Previdência, ignoraram a ideia de interdependência dos poderes.  Um dos resultados neste momento é outra onda de disputas entre o Executivo e o Legislativo, com os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados anunciando, na mídia, que não aceitam a interferência do governo nos moldes como está fazendo.

O Legislativo está há tempo realizando determinados pactos que o tornaram refém do governo. Nesse momento, a reação patrocinada reúne vários elementos entre os quais a precipitação da equipe governamental ao tentar impor pacotes de medidas e um calendário apressado de votação destes, e o fator eleitoral. Este ano, senadores e deputados terão encontro com os eleitores e medem o efeito que as votações de propostas indigestas podem ter em suas campanhas e nos seus projetos de reeleição e ou eleição em novos cargos.

É nesse vácuo que as ações de governo e a atenção do legislativo sobre tais ações ignoram o quadro em que o Brasil foi submetido. A violência, nacionalmente, explode, um Estado está sob intervenção enquanto tiroteio e mortes se multiplicam; nas outras cidades, cenas semelhantes se repetem; os serviços públicos estão profundamenteprecarizados, com seleção entre pacientes e vítimas para saber quem terá acesso à  ambulância e ao leito dos hospitais e unidades de pronto-atendimento; assaltos seguidos à ônibus públicos, a barcos, bancos; tarifas públicas com preços  elevados e o governo tentando aprovar mais apertos para os brasileiros como única forma de conter a derrama dos gastos públicos em descontrole. Indicadores que demonstrem avanço nas políticas sociais e de combate à corrupção são praticamente impossíveis de serem de fato construídos em um quadro dessa natureza.