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Editorial

A política e a economia

07/11/2017 às 22:53
Show congresso nacional 123

E novamente a crise política ameaça a pauta da recuperação econômica colocando interesses paroquiais acima dos interesses do País como um todo. Com isso, somos condenados a passar mais tempo convivendo com a crise e as dificuldades que dela emanam.

Ao que tudo indica a fragilidade do governo Michel Temer está no centro dos problemas, pois a bancada governista no Congresso aproveita-se disso para barganhar bem além do que é politicamente, eticamente e economicamente sensato. Tome-se o exemplo da desejada privatização do sistema Eletrobras.

O Ministério da Fazenda, que faz um esforço supersônico para manter as contas sob controle, desejava um processo mais rápido e encaminhado juridicamente na forma de Medida Provisória, que entra em vigor assim que editada e tem tramitação certa no Congresso. Pressionado pelas bancadas de Minas Gerais, a segunda maior do Congresso, e as dos Estados do Nordeste, que não aceitam a privatização da estatal Chesf, foi preciso negociar e a privatização será encaminhada na forma de Projeto de Lei.

O discurso é de que o presidente está prestigiando o Congresso, mas na prática um projeto de lei dá espaço para toda margem de manobra e o que se conseguiria em recursos com a privatização para brecar o déficit das contas públicas - atualmente em pornográficos R$ 159 milhões - serão aos poucos dizimados pelas compensações necessárias para a aprovação. O Nordeste já apresentou sua pauta: quer R$ 30 milhões para obras de despoluição e revitalização do rio São Francisco, com compromisso de investimentos nos próximos 30 anos. A bancada de Minas Gerais, que recentemente viu-se obrigada a engolir a privatizaçõ da Cemig, promete oposição forte por conta de Furnas, aquela estatal do setor elétrico que foi dominada nos anos lulo-petistas por Eduardo Cunha e congêneres.

Mas esta é só uma das pautas que o governo entende serem necessárias para destravar a economia brasileira no próximo ano. A Reforma da Previdência, por exemplo, subiu no telhado conforme a gíria corrente no Congresso Nacional e dificilmente avançará neste ano. No próximo será pior, pois nenhum político vota propostas que retiram direitos sociais em anos de eleição.

O imbroglio de ontem, que ameaça o projeto que joga para 2019 o reajuste dos servidores públicos da União previsto para 2018, tem a ver com o racha na bancada aliada do PSDB. O chamado centrão quer os quatro ministérios ocupados por militantes tucanos, que no domingo foram chamados a deixar o governo em dezembro em artigo escrito pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.