Domingo, 29 de Março de 2020
Editorial

A política econômica exige seriedade


ministro-paulo-guedes-economia-1200x720_225113A7-4B83-4A7B-AF2B-DEB16E96FBF0.jpg
15/02/2020 às 08:54

Após ataque aos servidores públicos, comparados a parasitas, o ministro da Economia do Governo Federal, Paulo Guedes, justifica a alta do dólar a “empregada doméstica estava indo para Disney, uma festa danada”. Afora o conteúdo discriminatório da frase, o responsável na equipe governamental por elaborar a política econômico-financeira do País revela um pouco do que pensa sobre quais segmentos sociais podem e quais não podem fazer viagens ao exterior quando deveria, como servidor público numa função relevante, informar claramente o que está fazendo para evitar a alta do dólar, preservar postos de trabalho, criar novos espaços de emprego e enfrentar a informalidade que se se constituiu na atualidade na expressão mais larga do emprego.

O ministro Guedes que vive a maior parte do tempo no exterior sabe, a partir da contabilidade pessoal, o custo da estadia no exterior quando a cotação é em dólar ou em euro. Esse mecanismo faz, pelo critério econômico, a seleção de quem pode viajar aos EUA e quem está excluído. Necessário mesmo é que o ministro se adeque a uma postura mais republicana e se coloque como a pessoa nomeada pelo presidente da República para comandar a área econômica e, constitucionalmente, coloca-la numa direção de que atenda aos interesses de toda a sociedade brasileira marcada, fortemente, pela desigualdade e a naturalização desta.

É esse o tema que um ministro da economia deveria colocar em primeiro plano. Esforçar-se para planejá-lo e desenvolvê-lo da melhor maneira. O que impõe a necessidade de mergulhar na realidade brasileira, feitas de várias realidades, e estabelecer uma conduta de atuação capaz de reagir diante de tamanha assimetria socioeconômica. A lógica de proteção aos que detém mais poder econômico tem sido prevalente e, agora, ameaça aos interesses desse próprio grupo diante da exacerbação da miséria, do aumento do número de pobres e do avanço de diferentes formas de violência que passaram a se constituir em um tipo de indústria lucrativa.

Na série de declarações desastrosas e de atos que aprofundam as desigualdades regionais, o chefe da economia brasileira pode até atender aos desejos de uns poucos que aplaudem suas respostas e frases destemperadas, mas o problema está aí na frente dele e em aquecimento, possível de chegar à explosão.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.