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Editorial

A Ponta Negra padece

12/06/2017 às 21:50 - Atualizado em 12/06/2017 às 21:52
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É séria a informação quanto a possível rompimento de tubos de esgotos na área da Praia da Ponta Negra, na Zona Oeste de Manaus. A avaliação técnica da situação exige ser rigorosa e transparente a fim de que ao pairem suspeitas da adoção de medidas pela metade. Embora importante, a questão estética do balneário tem menor valor nesse caso, o que pesa é saber o grau de poluição e as consequências dela para a cidade a médio e longo prazo e, para banhistas, em nível imediato.

A região da Ponta Negra vem sendo submetida há alguns anos a intensa pressão do mercado. Estabelecimentos comerciais diversificados de pequeno, médio e grande porte,  condomínios de luxo e área de lazer combinam a força de ocupação do lugar, um dos mais bonitos da cidade, onde é possível conviver com o rio Negro ou contemplá-lo em seus movimentos de cheia e vazante. É também o maior espaço público de entretenimento das pessoas que vivem em Manaus.

Apesar dessa importância e vínculo com a população, a Ponta Negra está, ao mesmo tempo, à parte de uma relação de cuidado maior naquilo que é a sua referência, o rio Negro. Atingido pela ocupação acelerada e desordenada do seu entorno, o rio está sob ameaça permanente. O sistema de esgoto dos empreendimentos requer controle rígido para que não seja um mecanismo de burla às condições legais exigidas ou mesmo ao falharem lançar nas águas do Negro os detritos que deveriam ter outro fim. Matéria de A CRÍTICA, na edição de ontem, apresenta um quadro preocupante com caixa de esgoto possivelmente danificada em área da praia. E uma área utilizada por banhistas tomada por resíduos, um cenário também dominado pelo intenso mau cheiro como relataram banhistas que no domingo foram aquele local.

Duas posições são aguardadas. Uma que é a manifestação das autoridades esclarecendo o que houve e quais as providências tomadas para resolver o problema. A outra é a disposição de moradores daquela área e frequentadores do local que mantenham com o rio Negro e a Ponta Negra uma relação verdadeiramente amorosa. É a compreensão sobre a importância desse balneário na vida das pessoas e o respeito ao lidar com ele que poderão construir as mais importantes barreiras para impedir a destruição progressiva do lugar e, como ela, de uma parte da história de Manaus.