Sábado, 06 de Junho de 2020
Editorial

A posição do Amazonas frente à pandemia


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14/05/2020 às 08:59

As populações dos demais municípios amazonenses já estão sendo apresentadas como as vítimas do presente e do futuro da pandemia provocada pela Covid-19. Todas as calhas de rios em torno das quais se organizam as cidades, os vilarejos registram casos de contaminação pelo novo vírus, informam os dados oficiais dos órgãos estaduais de saúde à frente do monitoramento do vírus.

Mesmo na Região Metropolitana de Manaus (RMM), onde em tese o acesso às informações é maior, o quadro de apoio e socorro as pessoas contaminadas, às famílias que sofreram perdas e àquelas que estão em situação abaixo da linha de pobreza é crítico. Nas comunidades mais distantes, onde o serviço da Internet é reconhecidamente precário e ou não está disponível que se revela é o invisível nesse processo, a dor cujo grito não alcança os agentes governamentais e à sociedade.

A necessidade de trabalhar regras de autoproteção e da proteção em larga escala é, para as populações do Amazonas, uma condição da qual não se pode abrir mão. Ao contrário, as autoridades de saúde que no âmbito governamental coordenam as decisões de enfrentamento ao novo coronavirus, têm a responsabilidade de, em parcerias criativas que envolvam profundamente os comunitários, reforçar condutas, fazer com que a prevenção possa avançar e não recuar, como ora ocorre em Manaus.

Os blocos econômicos e as dificuldades porque passam milhares de pessoas estão cada vez mais juntos para defender a retomada das atividades econômicas sob a ideia de que é possível já retornar à normalidade. Uma posição complicada considerando que a ‘normalidade’ já não está presente, algo muito grave ocorreu e afetou a todos, em diferentes circunstâncias. Aos que perderam pai, mãe, tio, filho, mulher, avós, amigos em tempo muito curto e sequer puderam velar os corpos, enterra-los, enfim viver o ritual do luto, não é normal.

Há registros diários de famílias que perderam três/quatro pessoas em dias seguidos. Como retomar às atividades para essas pessoas em clima de normalidade? Aqueles que propõem esse retorno não estão preocupados com a condição social das pessoas e sim com o bom humor da economia e, para este modelo econômico, basta existirem consumidores ávidos para funcionar bem. O bem-viver das pessoas não conta, aliás precisa ser evitado. A pandemia no Amazonas ainda está aterrissando.
 

Foto: Jair Araújo
 


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