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Editorial

A proposta do Sinetram

09/04/2018 às 21:53 - Atualizado em 09/04/2018 às 22:00
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O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram) quer encerrar o ciclo de pagamento da passagem com dinheiro e adotar em definitivo o uso do cartão magnético. A medida, de acordo com dirigentes da organização empresarial, objetiva oferecer mais segurança aos trabalhadores (motoristas e cobradores) e à população usuária de ônibus.

Os ônibus nos últimos anos foram transformados em um dos lugares mais frequentes de assaltos. Há recorrência de veículos que registram em um único dia dois assaltos. O clima nessa área é de instabilidade e as respostas das autoridades governamentais e dos próprios empresários têm sido lentas, quando não equivocadas.

A proposta para que todo pagamento de passagem de ônibus passe a ser feita por meio magnético e não mais em dinheiro é uma das ideias apresentadas. Um número expressivo de passageiros já recorre a esse sistema, mas há centenas que utilizam cédula ou moeda para o pagamento. O problema principal nessa formulação é que o Sinetram deixou de discutir o assunto com todas as partes envolvidas, principalmente o usuário, cliente e principal fonte de rentabilidade dos grupos que exploram o transporte de passageiros nessa modalidade.

Entre a tomada da medida, o anúncio e a sua implantação o tempo ficou curto demais. É como se fosse uma determinação de cima para baixo e que cabe ao passageiro uma única atitude, obedecer. Não pode e não deveria ser assim. É necessário que o sindicato das empresas faça interlocução para saber qual é a realidade em Manaus, como trabalhá-la e oferecer subsídios de orientação aos passageiros, que também dialogue com os sindicatos dos trabalhadores e com as autoridades do legislativo e do executivo.

Se a ideia é oferecer mais garantia de segurança aos passageiros torna-se fundamental que essas pessoas sejam, desde o primeiro momento, parte direta e ativa do processo e se pronunciem para que não vejam, mais uma vez, seus direitos cerceados e venham a sofrer constrangimentos. Como imposição, ainda que tratada sob o signo da atenção aos passageiros, a ideia dificilmente será completada e poderá vir a ser outra frente de problemas numa área que já é por si só uma panela de pressão pronta para explodir.