Publicidade
Editorial

A queda no setor de serviços

16/02/2019 às 08:48
Show setor servi os 9b7140c0 5531 404b a16e a5909fd42f8a

A manutenção, embora em escala menor, do índice de queda no setor de serviços, como atenta o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado há dois dias, demonstra a dificuldade para aquecer a economia do País. As medidas anunciadas e algumas já colocada em prática pelo governo federal não conseguiram produzir, internamente, resultados mais animados. O texto final da proposta de reforma da previdência social, uma das reformas mais aguardadas em duas frentes antagônicas, está pronto e segue para a apreciação do Congresso Nacional na mesma condição de peso difícil na balança.

Até agora os ensaios dos interlocutores do governo federal com o Congresso Nacional foram marcados por sucessões de erros. Habituados a outras práticas, alguns desses interlocutores estão agora descobrindo que precisam aprender a negociar seja qual for o perfil do Congresso. Enquanto os embates político-partidários seguem a velha rotina, do lado de fora permanecem o desemprego, as subfunções de trabalho e o achatamento salarial diante de vários reajustes de produtos e serviços que impactam diretamente na vida do brasileiro. Estão, nessa linha,  a tarifa do transporte público, alimentos como legumes e frutas, remédios, e os chamados serviços prestados às famílias.

A aposta dos que vivem momentos de recessão é que festas como o carnaval possam ajudar a melhorar a renda familiar. Grupos familiares inteiros estão as voltas com alimentos, bebidas, acessórios carnavalescos, de mobiliário que são transformados em possibilidade de obter algum recurso para minimizar a crise. As características que compõem o setor de serviço produzem uma fotografia da realidade econômico e social de um país; identifica também  a criatividade e a determinação de milhares de pessoas que reinventam e criam onde se pensava ser impossível para oferecer algo a clientes e criar clientelas fazendo desse movimento uma maneira de auto- remuneração.

As autoridades nos três poderes precisam perceber o que ocorre fora dos circuitos fechados para a tomada de decisão e, ao mesmo tempo, fazer com que as propostas direcionadas à vida da população sejam elaboradas e definidas com o compromisso de dar dignidade a essas pessoas. Para isso, a história demonstra que a linha por onde ocorre esse trânsito pode se romper caso o efeito dos lucros estejam retidos em pequenos grupos empresariais brasileiros e com suas conexões internacionais.