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Editorial

A questão ambiental

14/04/2017 às 19:14 - Atualizado em 14/04/2017 às 19:17
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A lei ambienta brasileira deu prazo de cinco anos, vencidos em 2015, para que todos os mais de cinco mil municípios brasileiros apresentassem planos para o manejo dos resíduos sólidos, o nome bonito dado ao lixo nosso de cada dia. Passados esses anos, a maior parte não fez o dever de casa e os que fizeram, fizeram apenas para cumprir a lei e não para ter um compromisso firme com uma boa solução para o mais grave problema ambiental de nossos tempos.

Lixo é um problema ambiental que tem características muito especiais e complexas, daí o legislador ter sido sábio ao exigir que o poder público municipal se ocupasse de dar soluções locais bem construídas. Tudo porque ele não é um elemento unicamente poluidor, lixo é a ponta de lança de uma série de problemas em sequência que habitam seu entorno.

O mais grave e evidente dos subprodutos é a degradação da paisagem. Até mesmo quando seu manejo é controlado, como ocorreu no aterro sanitário de Manaus, o acumulo de resíduos sólidos criou uma montanha onde antes era um vale às margens da rodovia AM-010, a Manaus-Itacoatiara, que já se eleva a mais de trinta metros de altitude.

No interior do Amazonas, tirando ou um dois municípios que tiveram gestores diligentes, o quadro é desolador e a falta de manejo do lixo causa problemas que vão da poluição de cursos de água até risco aviário.

 Parintins, por exemplo, o segundo maior município do Estado e anfitrião de nossa mais importante festa turística, tem seu aeroporto funcionando de  maneira restrita exatamente por conta da falta de manejo dos resíduos sólidos.

Um lixão a céu aberto na cidade dos bumbás atrai urubus em quantidade tão grande que inviabiliza operações de pouso e decolagem durante o dia. Agora imagine o tamanho deste problema quando chegar os dias de Festival Folclórico, quando mais de mil operações de pouso e decolagens estão previstas para acontecer. Tudo isso porque prefeitos dos últimos anos sequer tiveram o cuidado de planejar o que fazer com o lixo produzido por mais de 100 mil habitantes.

Outro exemplo crítico é o do lixão do município de Rio Preto da Eva, que A CRÍTICA mostra hoje. Lá, a falta de manejo fez surgir num terreno particular uma verdadeira selva de lixo, atraindo todo tipo de animais silvestres e doenças para os sitiantes.