Publicidade
Editorial

A realidade dos fortes

06/04/2018 às 22:23
Show ribneirinhos

A vida às margens dos rios da Amazônia não é para os fracos. Trata-se de uma população que vive desde sempre fora do alcance dos aparelhos do Estado, no vazio institucional que impera nos rincões da região. Por lá, energia elétrica é uma vantagem das mais preciosas. Não há hospitais por perto, nem agências dos Correios, tampouco delegacias. Às vezes, há escolas e uma igreja. Mas a maioria dos estudantes ribeirinhos que sonha em concluir os estudos precisa enfrentar alguns quilômetros pelo rio, todos os dias, para chegar à escola mais próxima. O número de pessoas que morrem anualmente isoladas em comunidades está fora das estatísticas. Um povo de valentes que vive dia após dia sem grandes expectativas.

Por décadas, essa população tem sobrevivido de forma quase invisível, tirando a subsistência da pesca, da caça e do extrativismo, com pouco ou nenhum apoio de órgãos oficiais.

Ontem, o governo federal publicou no Diário Oficial o Plano Nacional de Fortalecimento das Comunidades Extrativistas e Ribeirinhas, o Planafe, que prevê ações de inclusão social e apoio à produção sustentável nas comunidades ditas tradicionais.

Conveniente, o Planafe é lançado no momento em que o governo tenta viabilizar candidatura à Presidência da República. Há poucos dias, o pré-candidato seria o próprio presidente Temer, que ainda busca uma forma de deixar o Planalto em dezembro pela porta da frente. Mas a ação da Polícia Federal na operação Skala parece ter mudado tais planos.

Independentemente das motivações eleitoreiras, as populações ribeirinhas e quilombolas esperam que o plano anunciado pelo governo federal de fato saia do papel e se converta em reais benefícios para quem vive há tanto tempo à margem de tudo. Seria um ponto fora da curva, pois diversos programas com políticas semelhantes ficaram pelo caminho. Um exemplo é o programa Luz para Todos, que existe há mais de uma década, mas não passa de uma promessa para milhares de pessoas do imenso interior do Amazonas.