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Editorial

A reforma ideal e o mundo real

15/03/2017 às 21:06
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A reforma da previdência é uma necessidade que salta aos olhos de quem entende de números e de demografia, uma vez ser evidente que o brasileiro está vivendo mais e portanto fica mais tempo, merecidamente, sendo um beneficiário do sistema previdenciário nacional.

O problema é que a inversão da demografia brasileira também salta aos olhos, pois se há 20 anos o Brasil era um País de jovens, hoje os jovens daquela época têm menos filhos e já estão as portas da aposentadoria, compondo com isso uma conta que não fecha. Cálculos de especialistas sérios mostram que há 20 anos a balança registrava que para manter um aposentado havia seis trabalhadores na ativa. Hoje, com a inversão demografica, para cada aposentado há 1,6 trabalhador na ativa. Hoje essa conta ainda está fechando, o que dá argumentos para os que dizem que a Previdência Social tem superávit e não déficit, como indica o governo Temer. No entando,  o problema está se desenhando no médio prazo, dai a necessidade de se fazer uma reforma que leve isso em consideração nos dias atuais e assim possa garantir que o aposentado do futuro tenha seu benefício pago religiosamente como  esperado ao longo de todos os anos de contribuição.

O problema é que o governo não explica isso devidamente, apresenta meias verdades, que também são meias mentiras, e acaba por não esclarecer a opinião pública devidamente. Até porque ao contar as meias verdades tenta empurrar garganta abaixo dos brasileiros uma reforma que deixará o sistema previdenciário brasileiro, onde a aposentadoria é o benefício mais esperado, inalcançável para a maioria, que morre antes de completar 65 anos nos grandes rincões do País. Pior ainda, mesmo que alcance os 65 anos pode não ter direito ao benefício integral, posto que será necessário trabalhar - e contribuir religiosamente - por 49 anos. Neste sentido a conta social não fecha e assim abre espaços para os protestos que ocorreram, ontem, em todas as grandes cidades brasileiras.

Por mal dos pesares, a reforma entra em debate exatamente no momento em que a Procuradoria Geral da República traz à lume um conjunto de 83 denúncias, por diversos crimes, contra os políticos que vão votar e decidir o futuro dos brasileiros. Sem legitimidade para isso, talvez fosse melhor estes políticos delegar essa competência para o próximo Congresso a ser eleito em 2018.