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Editorial

A saúde e a doença

23/09/2017 às 19:50 - Atualizado em 23/09/2017 às 19:57
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O Sistema Único de Saúde é uma criação da Constituição de 1988 que ainda não alcançou o patamar previsto pelo legislador em função dos custos elevados de sua implantação e, porque não admitir, pelo mercado livre que se tornou a saúde para o cidadão comum. Sim, não há inocentes neste setor, em que pese os números serem amplamente desfavoráveis aos gestores de todos os níveis do Estado.

Há três semanas A CRÍTICA mostra o estado lastimável que se encontra o setor em Manaus e no interior, uma herança difícil que agora será enfrentada pelo novo governador Amazonino Mendes, que sempre é bom lembrar já esteve nessa função em outras três oportunidades, duas delas sob a égide da constituição que criou o SUS.

Cabe lembrar que os constituintes, por excesso de zelo e aterrorizado pelo fantasma da ditadura militar recem encerrada, tratou de incluir no texto da carta magna uma série de direitos sem, contudo, destinar recursos equivalentes para que os mesmos fossem cumpridos. O SUS é o maior exemplo deste trabalho incompleto.

De 1988 até o primeiro governo Fernando Henrique Cardoso a dotação orçamentária do setor era incerta e estava condicionada ao humor do governante de plantão na União, nos Estados e nos municípios. Inicialmente o limite mínimo imposto não deu conta de pagar a conta. Naquele governo então o falecido ministro da Saúde Adib Jatene batalhou pela criação o imposto da saúde, que financiaria todo o SUS. Foi a Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira, a famosa CPMF, que deu fôlego novo ao SUS.

No segundo governo Lula, contudo, a CPMF desapareceu e novamente o financiamento se complicou e, na ponta, quem pagou o pato foi o paciente, já vilipendiado no seu direito a boa saúde.
Esse direito vilipendiado pode ser traduzido em número, como faz hoje A CRÍTICA em mais uma parte deste raio-x do setor. São . São 52.769 cidadãos amazonenses que ainda não conseguiram sequer fazer uma consulta médica para saber de que mal sofrem! 

Quando conseguirem, vão para outra fila buscar a realização de exames. Ato continuo voltam a fila inicial para entregar os exames para avaliação e diagnóstico médico. No fim, vão penar em busca dos remédios. É um sacrifício só, que para muitos será feito em vão pois serão alcançados antes pela morte inexorável.