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Editorial

A saúde no Amazonas profundo

20/07/2018 às 23:06
Show amazonas

A notícia de que em junho de 2019 o Amazonas terá um navio médico inteligente em operacionalização nas cidades amazonenses é animadora. Que seja concretizada e possa efetivamente ajudar a mudar realidades perversas às quais estão submetidas milhares de famílias da maioria dos municípios deste Estado. A ideia de hospital flutuante é antiga e viajou por muitas cidades a partir principalmente dos anos de 1930 do século XX quando as embarcações com equipes multiprofissionais de saúde eram uma das duas alternativas de garantia de atendimento à saúde, a outra a que oferecia a sabedoria da medicina tradicional feita na mistura de ervas, raízes, folhas, chás, pós, rezas.

A combinação desses dos instrumentos permanecem válidas em regiões com característica as da Amazônia onde os recursos humanos qualificados e de equipamentos são poucos e inexistentes em determinados lugares. Fazer a atenção integral à saúde viajar pelos rios, lagos, igarapés, aportar nas comunidades e ser realizada é uma das especificidades desse setor na região. Não significa reduzir as lutas por investimentos para garantir hospitais e unidades básicas de saúde devidamente estruturados nos municípios a fim de assegurar um direito básico às pessoas. Nesse setor, o sistema fluvial representa a outra parte dos diversos e diferentes mecanismos manejados para retirar da condição de abandono um grande número de amazonenses entre os quais estão à espera de atenção mulheres, idosos e crianças hoje distantes dos programas de prevenção aos adoecimentos e de tratamento médico quando doentes.

O projeto do Navio Médico Inteligente (NMI) é financiado pelo governo da Coreia do Sul por meio da Fundação de Apoio à Pesquisa, Tecnologia e Inovação da Universidade de Taubaté (Unitau-SP). A ideia ganhou corpo há três anos quando a então presidente  daquele país em conversa com Dilma Rousseff, afastada em 2016, conheceu algumas das dificuldades de garantir atenção médica aos ribeirinhos da Amazônia. O sim da Coreia do Sul à proposta de um hospital flutuante que terá o Município de Manacapuru como ponto de partida poderá representar a reanimação de uma maneira de cobrir o Amazonas e a Amazônia na sua parte mais profunda a partir de um programa ampliado de saúde, a adoção de condutas mais saudáveis dos governos federal, estadual e municipal no fomento e zelo com parcerias dessa natureza, se o foco for atender as demandas mais cruciais das populações dessa região.