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Editorial

A situação da zona leste

13/05/2018 às 20:54 - Atualizado em 13/05/2018 às 21:13
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As condições em que se situa a população da Zona Leste de Manaus são precárias. É praticamente impossível não recorrer às expressões abandono e omissão quando se vive naquela região de Manaus ou a visita. Matéria deste domingo publicada na seção Tema do Dia identifica algumas das razões para tal quadro e o que mais implica nele é saber que a Zona Leste já abrigou diferentes experimentações político-eleitorais por ser uma espécie de reserva de votos.

Há dois meses jovens moradores do bairro Jorge Teixeira buscavam apoio para desenvolver atividades inovadoras que possam reduzir o número de assassinatos na região, ampliar a segurança e oportunidades à juventude e adolescentes parcelas expressivas na Zona Leste. No relato, os jovens enfatizaram a situação de abandono e de retrocesso que os programas sociais passam. Um deles afirmou que o quadro atual remonta aos anos de 1990 quando funciona naquela área a ‘lei da justiça com as próprias mãos’. 

A maioria das instituições públicas e até mesmo as religiosas encolheu as ações desenvolvidas naqueles bairros e, desta forma, abriu espaço para que outras organizações que atuam à margem das condutas legais entrassem em cena. A violência institucional passou a fazer parceria com outras formas de violência e a determinar outras condutas. O medo de ser a próxima vítima, a cooptação de adolescentes e jovens às drogas, à prática criminosa e a exploração sexual retomaram espaços e manejam vidas que deveriam ser protegidas pelo Estado.

Ausência ou redução de projetos que melhorem a qualidade de vida das comunidades na Zona Leste é um dos sintomas do afastamento das autoridades públicas naquela região da cidade, e não é á única. O que fica é a ideia de que eleitores de todas as idades foram mais uma vez usados como objetos para a conquista de mandatos cujo compromisso é restrito a grupos que possam fazer negócios nada republicanos. A outra ideia, produzida a partir da reflexão da primeira, é que caberá aos moradores dos bairros da Zona Leste, os pequenos empresários e os jovens construírem suas plataformas de luta e sair às ruas para fazer valer direitos. Há décadas, os moradores dessa região lutam por dignidade e não para ser manobrados por candidatos a cargos públicos.