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Editorial

A sociedade de joelhos

08/01/2017 às 18:49 - Atualizado em 08/01/2017 às 19:01
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O saldo da primeira semana de 2017 é de quase uma centena de mortos nas prisões de Amazonas e Roraima, numa clara demonstração de que o comando das cadeias não está, há muito tempo, nas mãos do Poder Público. Os fatos contradizem a afirmação do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que, em Manaus, afirmou que os presídios não são de facções criminosas, são do Poder Público. Lamentavelmente, não é assim. As organizações criminosas deram, nos últimos dias, demonstrações de que são elas, e não o Estado, que detém o comando das unidades prisionais.

Com é possível que tantas armas tenham entrado na Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, viabilizando nova carnificina em apenas oito dias? Os grupos criminosos parecem ter poder para fazer o que quiserem, deixando o Estado de mãos atadas e a população com os nervos à flor da pele.

O poder público, em todas as suas esferas, mostra letargia para fazer frente à crise nas prisões.   Uma semana se passou e ainda não foram identificados todos os mortos na rebelião do dia 1º, também não foi divulgada a lista de foragidos.

Tardiamente, o governo é forçado a admitir que a construção de presídios, anunciada como principal medida para resolver a crise no sistema, é inócua, uma vez que só terá algum efeito quando os prédios forem entregues, o que pode ser daqui a três, quatro, cinco anos... ou nunca.

A situação exige medidas incisivas de efeito imediato no sentido de reassumir o comando das unidades prisionais. É preciso parar de tropeçar em palavras, como fizeram o presidente Temer, e o  ex-secretário nacional da Juventude, Bruno Júlio, e partir para a prática. Uma reunião foi marcada pelo Ministério da Justiça para o dia 17, em Brasília, com secretários de todos os Estados e do Distrito Federal. A reunião acontecerá, 17 dias depois do primeiro massacre em Manaus (AM). Mas, antes tarde do que nunca. Até agora, 99 presos morreram no Amazonas e em Roraima na primeira semana do ano. Para tentar evitar novas carnificinas nos próximos dias, ajuda federal foi autorizada.

 Foi preciso um novo banho de sangue, desta vez na Cadeia Pública, para que o governo do Estado aceitasse a ajuda federal que já havia sido oferecida após o primeiro massacre. Vamos esperar que o assunto passe a ser tratado com a seriedade necessária.