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Editorial

A soma das lutas pela dignidade

30/12/2017 às 18:02
Show 2018

Este domingo marca o encerramento de um ciclo na perspectiva do calendário não dos acontecimentos. Estes permanecerão e irão impactar em grau maior ou menor os bilhões de indivíduos que vivem no Ocidente e no Oriente. O fim de uma etapa carrega simbolismos importantes na história da humanidade porque envolve a subjetividade da existência humana. O ano de 2017 tornou-se palco de atos lamentáveis, da manifestação dos exageros em várias áreas, do encolhimento do valor da atividade política nas casas legislativas e do avanço de governos conservadores e corruptos. Ao mesmo tempo demonstrou a capacidade de mobilização, a criatividade e a generosidade que mobilizam milhares de pessoas em nome de boas causas.

É com essa esperança e essa energia que milhares de pessoas irão saudar a chegada de outro ciclo, 2018. O tempo de saudação, de reflexão e de planejamento se constituirá em  momento de cada um e dos grupos sociais para fazer e expressar as leituras do que viveram em 2017 e do que esperam viver no novo ano. O peso nas bandejas da balança ricos e pobres voltou a ser maior na desigualdade e, com ela, no enraizamento das violências, da expulsão de pessoas de suas terras e negação da dignidade que cada uma delas é portadora.

Que o novo ciclo reorganize as lutas em todo o mundo pelo fim das desigualdades socioeconômicas, pelo respeito a cada povo, as mulheres, as juventudes e ao meio ambiente. No Brasil, as lutas de Norte a Sul são pela adoção cotidiana de mecanismos vigorosos no combate à cultura de corrupção; pela garantia dos direitos e de respeito aos povos indígenas, aos negros, quilombolas; pelo entendimento, vital, da importância do ecossistema amazônico aos brasileiros e ao mundo. 

A construção de outra noção da atividade político-parlamentar é parte da grande luta. Partidos, gerentes partidários, filiados e parlamentares têm o dever de ser parte dessa construção e quanto aos que se sentem realizados com o modelo atual que os eleitores e a sociedade civil faça andar o processo saneador.  A conduta política entre membros dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário alcançou profundo nível de deterioração.

O limite do constrangimento deixou de existir por parte de autoridades que se repetem em performance vergonhosa. Um ciclo que se inicia pode ser a porta para se olhar as realidades e agir sobre elas.

Que 2018 seja um ano de soma das lutar para erguer a dignidade da vida dos amazonenses, dos brasileiros, de todos que a tiveram roubada.