Sexta-feira, 18 de Outubro de 2019
Editorial

A tarefa dos governadores da Amazônia


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15/09/2019 às 14:28

O encontro de governados dos Estados da Amazônia com embaixadores da Noruega, Alemanha, Reino Unido e França, na sexta-feira, pode inaugurar um outro canal de interlocução entre o Brasil e países que têm importante participação financeira em ações de preservação e conservação da floresta amazônica. Após uma série de episódios desastrosos cujo efeito se refletirá na vida das populações mais vulneráveis da região, há uma indicação de retomada do Fundo Amazônia e estabelecimentos de itens que governadores se comprometem a fazer valer na aba da política governamental brasileira.

O desejo era de que o Brasil, por meio do governo federal, pudesse experimentar avanços na definição de uma política para a Amazônia considerando o papel da floresta e a necessidade de promover pesquisas que esclareçam e reforcem, pela cientificidade, a importância estratégica de manter árvores em pé. Os primeiros meses de governo produziram uma série de iniciativas exatamente ao contrário e expuseram uma proposta de governo que afronta a complexidade amazônica e retoma a velha ideia de um modelo de desenvolvimento caracterizado pela exploração madeireira, mineral e expurgo das populações indígenas de suas terras.

Em nível internacional, o efeito dessas manifestações provocou estremecimentos diplomáticos e a decisão dos países financiadores do Fundo Amazônia, a partir da Noruega, um dos que mais contribui, de retirar os recursos. Pior, a resposta oficial brasileira provocou mais cisões e reafirmou os projetos propostos para a região. A iniciativa dos governadores da Amazônia de criar, nesse cenário de conflito, um consórcio internacional de desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal, e, por meio dele, dialogar com os governos desse conjunto de países se apresenta como medida mais sensata e inova no patamar da tomada de decisões.

Governadores, nesse momento, criam um outro espaço de interlocução e podem dentro da legalidade, ter presença mais ativa nas discussões e deliberações conjuntas a serem tomadas em nome da Amazônia e de um projeto de desenvolvimento sustentável.  Os termos debatidos e colocados de forma transparente à sociedade, poderão significar um outro estágio de cooperação internacional com possibilidade de produzir efeitos positivos. Por meio da gestão do consórcio, governadores têm a chance de aprofundar conhecimento, se assim desejarem, sobre o que é a Amazônia, quais áreas foram desmatadas e quais os efeitos dessa ação, o que está de pé e quais medidas podem vir a ser desenvolvidas dentro de uma perspectiva sustentável.


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