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Editorial

A transição no Amazonas

06/11/2018 às 07:19
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O processo de transição entre equipes de governo é um dos saldos da experiência democrática e dos esforços para se tornar ato natural nas mudanças de governo. O caso do Amazonas, este ano, mostra o quanto o País está distante de fazer dessa atitude uma conduta normal para além da obrigatoriedade legal. Até agora, a equipe do governador eleito, Wilson Lima,, não conseguiu se reunir com a do governador que em encerrará o mandato em 31 de dezembro, Amazonino Mendes.

Lentidão ou atraso nessa área prejudica não somente ao governante que irá assumir o comando do Estado, mas também à sociedade. No primeiro caso, dificulta e posterga a tomada de decisão em decorrência da falta de dados técnicos que possibilitem melhorar as informações sobre a situação econômico-financeira do Amazonas, de pessoal, convênios e uma série de ações que dizem respeito a administração estatal. A população, por seu turno, sofrerá os reflexos dessa postura que tendem a impactar mais ou menos em diferentes áreas, considerando a situação destas. Se mais fragilizada, com problemas acumulados, maior será a repercussão da falta de dados objetivos que possam ser manejados pela equipe escolhida por um novo governo.

A dificuldade no ritual de transição ocorre em outros Estados e municípios como marca do forte rescaldo dos processos eleitorais polarizados e muito pela mentalidade de quem lidera o governo que está em fim de mandato. No passado, o debate era sobre a falta de transparência nos dados fornecidos e com a regulamentação desse acordo o que se buscava preservar é o respeito ao ritual e à exigência legal da transparência nas informações públicas, naquilo que se convencionou chamar de relatório sobre a real situação do que irá ser administrado por uma nova equipe seja no âmbito do município, do Estado ou da União.

O que a sociedade aguarda publicamente, no caso do Amazonas, é que os trabalhos das equipes (a que sai e a que entra) possam ser iniciados o mais rápido possível e que o entendimento entre as partes funcione, pois, o governo não é propriedade privada e sim expressão de domínio público comprometido com o povo e com deveres constitucionalmente definidos.