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Editorial

A utopia de ser cidade com outro selo

24/10/2016 às 21:15
Show bruno rocha silveira teatro amazonas

A cidade que  completou 347 anos pede celebração com marca de cuidado. As desigualdades cresceram e tornaram-se uma das referências de Manaus. Um grupo pequeno cada vez mais rico e a maioria  empobrecida. Os serviços públicos estão precarizados e os direitos fundamentais da pessoa fragilizados.

As decisões tomadas ao longo dos anos gerou uma cidade em agonia e com dificuldade para compreender as culturas que forjam a sua identidade. As divisões produzidas por um determinado estilo de administração pública criou áreas bem estruturadas com serviços que  funcionam regularmente e com alguma qualidade para atender as classes média e alta e outras expressão do abandono, da omissão e de processos de concessão como se essa grande maioria da população fosse de pedintes. No primeiro caso, as atenções dos administradores está sempre presente para garantir a infraestrutura desse grupo de pessoas.

A cidade, profundamente dividida, sofre com o aumento da violência sobre todas as formas. A política de desenvolvimento priorizou os carros e as motocicletas em detrimento das pessoas, limitou as áreas destinada ao verde e às praças onde vivências importantes podem ser experimentadas. Ganhou em brutalidade arquitetônica com pequenas zonas de respiros onde a maioria da população enfrenta dificuldade para acessá-las.

Embora disponha de recursos diversificados da floresta que poderiam, sem representar enormes gastos, um rico paisagismo  e com ele interferir numa convivência mais humanizadora, não se percebe em Manaus ações de investimentos nesse setor. Os dentes de dragão são os mais visíveis. No balanço, a composição é horrenda e violenta.

E é em meio as guerras dessa proposta administrativa histórica que emerge iniciativas de segmentos da população, de pesquisadores, artistas, educadores em favor da cidade e de sua gente, do seu patrimônio, do multiculturalismo como  uma das melhores expressões de convivência e de enfrentamento aos sectarismos que avançam assustadoramente nos vários espaços de poder.

Parabéns a essa Manaus que é teimosa, resistente e determinada. Mesmo apeada pela falta de responsabilidade administrativa, pela adoção de modelo restrito e dominador de gestão pública e pelo desamor essa Manaus está em batalha, gera conflitos e questionamentos, faz esforço gigantesco para aproximar e constituir uma cultura de diálogos com os diferentes. É uma luta árdua, necessária e na qual a esperança, a alegria e a utopia de humanizar Manaus residem.