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Editorial

A velha política diante da crise

14/09/2016 às 21:08
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A interferência pesada e desastrosa da crise política na economia brasileira é fato. As consequências dessa postura contaminada por outros fatores externos e internos estão sendo concretizadas. Enquanto setores produtivos, do Executivo e do Legislativo insistem em apresentar culpados em separado atribuindo a esses um poder absoluto de decisão os problemas são superficialmente tratados.  A questão central não está sendo objeto de discussão e de tomada de decisão. Nem pelo governo federal nem pelos governos estaduais e municipais. Optam pela ladainha.

As crises existem e exigem enfrentá-las. O modo como os governos a enfrentam é a diferença crucial. No caso brasileiro e, particularmente no Amazonas, o fisiologismo tem sido usado com frequência. As medidas de ajuste propostas atacam os interesses da população e, nesse segmento, miram os mais pobres. Ao encolher drasticamente as ações do sistema de saúde pública, o Governo do Amazonas atingiu de forma profunda os mais necessitados do Estado que não podem contar com um plano B para ter respostas aos seus sofrimentos.

A proposta ora apresentada pelo Governo Temer apresenta um tipo de saída. Não inovador. Retoma a política de privatizações cujo contorno na formulação atual não está claro e, no bolo, abre espaços à exploração de outras atividades. Duas delas estão nas comissões do Senado, a exploração de cassinos e a venda de terras para estrangeiros. No conjunto, o pacote contém elementos explosivos não perceptíveis aos olhos das leituras mais gerais. As discussões e análises em um Congresso com o perfil do atual estão prejudicadas porque a ordem é aprovação acelerada como resposta a outras demandas: manutenção do Governo Temer e aparente controle da crise econômica.

A questão da venda de terras toca diretamente à Amazônia, região a ser explorada com maior intensidade porque nela estão os recursos da ordem atual de exploração (água, minério, fármacos, culturas...). Quem está à frente das discussões e das mobilizações para que a decisão não seja tomada a partir de uns poucos parlamentares reunidos em gabinetes?

As mordomias dos poderes permanecem intocadas. São carros, assessores, auxílios para todas as despesas e tantos outros benefícios como se os gestores nos cargos do alto escalão e do segundo vivessem em uma ilha a partir da qual decidem sobre a vida da maioria dos brasileiros e dos amazonenses. Não há conduta inovadora no enfrentamento da crise, há o manejo das fórmulas da velha política, na base das ameaças e da geração de instabilidade para os trabalhadores.