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Editorial

A vida não pode ser descartada

13/04/2017 às 23:25 - Atualizado em 13/04/2017 às 23:27
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O aceleramento do mundo impacta em todos os campos e atinge a forma das pessoas viverem. Tecnologias sofisticadas fornecem, todos os dias, códigos que atalham caminhos longos e são apresentados como maravilhas da vida moderna para resolver problemas. Sim, muitos problemas são resolvidos e facilidades passam a ser parte do cotidiano. Mas, nesse mundo, um dos aspectos na lista negativa é o processo de banalização da dignidade humana.

A noção do descarte para outros produtos se aplica com muita semelhança aos humanos. Regras de convivência construídas principalmente a partir do pós-guerra mundial para promover outra cultura onde diálogo e respeito tivessem valor vem sendo abandonadas e o culto ao eu individualizado se expande nas pessoas de todas as idades, principalmente as mais jovens.

Um dos resultados desse modelo de vida é o isolamento ainda que no meio da multidão, adoecimentos e longos processos de tristeza e sofrimento. O tempo tecnológico é também o tempo da depressão, da crise de pânico, da sensação de inutilidade na existência. O evento sexta-feira santa pode ajudar a encontrar respostas e iniciar a tomada de decisões pessoais noutra direção mais saudável.

Mais que feriado pré-agendado, a data carrega importantes simbolismos em torno do exercício da convivência, do cuidado com o outro, da partilha, do perdão e do amor. Noções atingidas pela proposta vigente de mundo. É interessante pensar na existência de um dia no calendário cristão, embora possa ser feito todo o dia, em que haja recolhimento e espaço para que cada um pense sobre as condutas de vida. Nesse gesto reside a possibilidade de descobertas por vezes duras e tristes, mas relevantes para o reposicionamento. A perda de importância do recolhimento exibe a eficácia do mundo-mercado e projeta relações sociais permeadas por laços endurecidos.

Há por parte do Papa Francisco pedido singular às pessoas do mundo todo e que cabe na maioria das religiões e dos que se confessam ateus: ame mais, perdoe mais, abrace mais, viva mais intensamente. É disso que esse Planeta necessita e os humanos são a expressão da inteligência maior dele, por isso têm condições de reinventar a vida aproveitando a tecnologia para conexões humanizadoras que só podem ser realizadas se passarem pelo perdão, pelo abraço, pelo amor.