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Editorial

A violência e o desgoverno

25/05/2017 às 22:30 - Atualizado em 25/05/2017 às 22:32
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A chacina de dez posseiros no Pará é mais um capítulo da explosão da violência na Amazônia, da impunidade e do pouco caso que autoridades do Governo Federal e do Estado Pará fazem diante desses registros. Na grande Belém, na última semana de janeiro, 30 pessoas foram mortas, 25 delas com características de execução. Em relação a segmentos como agricultores e indígenas, os casos assassinatos avançam.

Os sinais dados são na direção de que o presidente Michel Temer (PMDB) tem como preocupação maior manter-se no posto e, para isso, aciona com frequência os ministros mais ligados a ele enquanto a governabilidade é diluída. As atenções a setores em situação crítica onde os conflitos acontecem com maior intensidade parecem ter sido desviadas para concentrar o esforço no entorno do Palácio do Planalto. A matança de trabalhadores rurais no Município de Pau D’Arco, no sudoeste do Pará tem um dado que confronta as declarações dadas pelas autoridades paraenses que tentam justificar a ação policial: quem são os mortos nesse ‘confronto’?

São indicadores que as instituições brasileiras e internacionais não podem deixar escapar. Mostram o País está em situação de desgoverno. A frenética movimentação entre os agentes do Palácio do Planalto e o Congresso Nacional com uma única pauta denuncia o abandono do Brasil e dos brasileiros principalmente aqueles mais fragilizados que já sofriam com o olhar distante do Governo. Agora experimentam a sensação de abandono total. São 29 trabalhadores rurais assassinados este ano de acordo com a Comissão Pastoral da Terra. Em abril, no município de Colniza (Mato Grosso), nove agricultores foram mortos e outros nos Estados do Maranhão e Rio Grande do Sul. Nesse mesmo tempo, índios Gamela foram atacados e feridos.

Os escândalos em Brasília com um número a cada dia maior de envolvidos provocam a agudização da desgovernança. O protocolo está quebrado embora Governo e Parlamento insistam em performances que mais parecem provocações diante da realidade. A Suprema Corte do País precisa perceber esse Brasil além Brasília e acionar instrumentos legais e legítimos para que a população mais ameaçada não seja definitivamente abandonada até a definição de quem ficará, por quanto tempo e como  no comando do Governo Federal.