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Editorial

A violência estimulada

11/12/2018 às 08:07
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A violência aparece como uma das marcas acentuadas deste ano que se aproxima do fim. São manifestações de violência de todas as naturezas e em vários níveis alcançando a maioria das pessoas em todo o mundo. Os discursos de violência ganharam espaços importantes e passaram a ser repetidos em gestos e palavras nos espaços de trabalho, de entretenimento, das escolas, nas ruas, nas praças e nas famílias.

Idosos, crianças, mulheres, negros, indígenas, imigrantes, pessoas portadoras de necessidades especiais e de maior vulnerabilidade estão no topo da lista das vítimas de violência. O quadro de brutalidade praticada cotidianamente pede atenção e posicionamentos firmes diante daqueles que promovem a violência, sejam eles autoridades públicas, privadas ou não. Uma série de leis, criadas ao longo da história humana e a partir da formação de movimentos sociais, foi forjada para que os humanos pudessem viver uma nova relação de respeito aos diferentes e á dignidade que cada pessoa carrega. No essencial, as leis tentam salvaguardar direitos e assegurar  acionamentos no âmbito da Justiça para a proteção integral das pessoas, mas tem sido difícil fazer a lei valer tamanho é o peso dos atos de violência.

O assassinato do senhor Sates Jacó de Souza, 78 anos, no bairro Colônia Terra Nova, com traços de crueldade, como relata matéria de A CRÍTICA, edição de segunda-feira (10) integra a lista das ações de violência neste mês no Amazonas. O caso  passa a ser mais um número na tabela de mortes provocadas por muita violência; há aqueles que sobreviveram às atitudes violentas e vivem com sequelas profundas. A mídia tem mostrado, diariamente, como idosos, crianças e mulheres estão sendo agredidos por pessoas cuja responsabilidade é assegurar proteção e cuidados a eles.

Imigrantes espalhados no Brasil e no mundo tornaram-se, nesse tempo, motivo para as mais tristes posturas de uma parcela de governos e de habitantes de diferentes países, estados e cidades. O discurso oficial que coloca em primeiro plano o ódio dissemina a rejeição às pessoas em situação de vulnerabilidade e passa a justificar o linchamento como modelo de justiça, o espancamento sumário em substituição à conversa e as chacinas como instrumento de manutenção da ordem. A humanidade, e os brasileiros em particular, estão diante do desafio de perceber esse quadro e compreender que necessita ser superado.