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Editorial

A violência venceu?

04/07/2016 às 20:31
Show balas

A violência em escalada vertiginosa atinge em cheio mulheres e crianças em Manaus. E pede ações duradouras, firmes e amplamente compartilhadas para dar um basta na sensação de que nada de fato acontece no sentido de impedir a continuidade dessa tragédia. 

Crianças e adolescentes estão sendo sequelados e assassinados, somando aos casos de espancamentos e mortes de mulheres na maioria das ocorrências por seus companheiros ou ex-companheiros e de homossexuais. A cidade está sendo questionada. Diante da banalização da vida as respostas precisam ser construídas imediatamente e em todos os espaços a fim de que a rede de enfrentamento à violência que mata como ato natural seja desenvolvida a resistência em favor da vida com dignidade de toda pessoa, da criança ao idoso.

Os registros e as reações de tristeza, pavor e revolta não dão conta do tamanho da responsabilidade que a cidadania, se ativada, tem diante das ocorrências diárias desses casos. Manaus reclama outra atmosfera de convivência. Até agora é medo de ser a próxima vitima que avança. Pensar a cidade passa necessariamente por restituir elementos constituidores de uma convivência em que a segurança e os direitos sejam de fato respeitados e não regras que valem para uns poucos que podem pagar para manter sistemas particulares de proteção.

Se o tema não conseguir ser tratado com a seriedade e urgência que exige tanto por parte das autoridades quando por parte dos demais segmentos a tendência é de agravamento das condições de vida na capital amazonense. Já precarizada pela perda na qualidade de serviços e nos valores de convivência, a cidade reproduz todo o arco de violência urbana comuns em outros centros e se torna cada vez mais o endereço dos grupos de narcotraficantes.   

É crítica a situação sob os vários aspectos. O envolvimento de jovens e adolescentes nesse sistema, a partir das ofertas feitas pelo narcotráfico, a lentidão na tomada de decisões inteligentes para enfrentar o sistema paralelo e a perda de valores que ajudem a valorizar Manaus e seus moradores. O cerco se fecha enquanto, a cada dia, familiares e amigos são surpreendidos pelo sofrimento e a dor das perdas. Uma sombra ronda a cidade e faz crescer os atos de violência
 como regra de vida.