Quarta-feira, 14 de Abril de 2021
Editorial

Abandonados, governadores e prefeitos buscam saída


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04/03/2021 às 08:22

A maioria dos governadores e dos prefeitos brasileiros está, mais uma vez, diante do desafio de agir o mais conjuntamente possível para assegurar, nos Estados e nos Municípios que administram saídas menos trágica às populações. Em muitas décadas, não ocorria no Brasil uma situação semelhante a atual, onde o governo central desvincula-se de suas atribuições constitucionais e omite-se da responsabilidade de agir em socorro à população.

Os consórcios ganharam na pandemia da Covid-19 dimensão de elevada importância à administração pública. São maneiras que governos apostaram para enfrentar a tragédia provocada pelo novo coronavirus em consonância com a atitude do governo federal que, a cada dia, atua mais no sentido de promover conflitos e ampliar problemas internos e externos do que na busca de entendimento nacional possível. 

A terceira onda do vírus, com novas cepas agindo, exige de todos os três níveis de governo a adoção imediata de medidas que possam, a final, significar a salvação de vidas. No âmbito federal, o que se assiste é a atrapalhada gestão no Ministério da Saúde mais interessada em seguir orientações presidenciais, e posturas do presidente da República que continuam fazendo pouco caso dos protocolos médicos e sanitários utilizados em todo o mundo.

O quadro crítico que Estados brasileiros do Sul e do Sudeste apresentam hoje, com aumento do número de pessoas infectadas, rede hospitalar em asfixia, e elevada taxa de mortalidade se aproxima de situação vivenciada pelo Amazonas no mês de janeiro. O agravante é que o nível de socorro prestado ao Amazonas pelos governos de outros Estados tende a não se repetir diante do recrudescimento da pandemia.

Os apelos feitos por secretários estaduais de saúde, médicos, enfermeiros, infectologistas para que haja maior rigor no cumprimento das medidas restritivas são um pedido de socorro. Não há leito, não há UTI suficiente, o pessoal que atua diretamente com os pacientes está em exaustão, doente e muitos deles, mortos. A tentativa de fazer a economia funcionar pelo caminho mais fácil é uma decisão de elevado risco porque submete milhões de brasileiros a ação do vírus e, uma semana depois, muitas dessas pessoas estarão desesperadamente em busca de atenção média.

Outras iniciativas poderiam ter sido implementadas para reduzir o nível de perdas econômicas e de postos de trabalho. O governo decidiu seguir como se o Brasil não estivesse vivendo uma pandemia.
 


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