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Editorial

Abismo educacional

04/10/2016 às 21:50
Show enem

A cada nova publicação do ranking do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que avalia as escolas brasileiras neste ciclo do estudo, há um distanciamento entre as redes privadas e as públicas. 

Para se ter ideia do abismo, no exame de 2015, das 100 melhores avaliadas em todo o País apenas três eram públicas, e todas classificadas como colégios de aplicação de universidades federais. No Amazonas, das dez melhores apenas uma era pública, o Colégio Militar de Manaus, uma escola da rede Federal de ensino.

Entre as particulares, neste Enem/2015 destacou-se no Amazonas a escola Idaam, que com a 104ª posição no ranking se tornou a melhor escola da região Norte.

O que estes dados nos trazem é a importância do Poder Público repensar e refletir sobre o que tem fornecido aos nossos estudantes na forma de serviços educacionais e aos professores, como as chamadas condições objetivas para a oferta de uma educação de qualidade. Em que pese a polêmica gerada pela edição de uma Medida Provisória, o menos democrático dos instrumentos legislativos, resta claro para todos os envolvidos no processo que não é possível deixar o ensino médio como ora ele se encontra. Talvez a reforma fosse melhor encaminhada se fosse precedida por uma amplo debate no parlamento e na sociedade civil organizada, mas não é com MP que toda uma estrutura pesada e tradicional como a da educação pública brasileira vai mudar.

 De qualquer maneira, o Enem sinaliza para a necessidade de mudança, sobretudo quando mostra as condições salubres das escolas privadas e o tempo dispendido nelas pelas estudantes, que naturalmente já têm um bom suporte familiar por trás.

Apesar de parecer difícil, é claramente possível recolocar a escola pública nos eixos e de volta a posição que tradicionalmente ela ocupou no passado.

Para isso, aumentar o número de horas do ano letivo é um caminho, mas desde que seja providenciado as condições físicas da escola e as psicológicas para os professores trabalharem com bons salários, perspectivas de carreira e a respeitabilidade da comunidade. Outro ponto incontroverso é a necessidade de se aumentar o orçamento destinado a educação, o que esbarra na atual necessidade de cortes de gastos como quer o governo Temer.