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Editorial

Academias ao ar livre e o desperdício

27/11/2017 às 21:29
Show ar livre 123

As academias ao ar livre parecem no mundo entre as décadas de 1960 e 1970. Tornaram-se populares no ano de 2008 como parte das atrações chinesas para os jogos olímpicos de verão daquele ano. No Brasil, a modalidade passou a integrar planejamento urbano de administrações municipais e, junto com propostas dessa natureza, a somar votos a candidatos a cargos eletivos no executivo e no legislativo.

As instalações a céu aberto viraram uma atração e passaram a ser utilizadas cada vez mais por comunitários, principalmente os jovens em busca de mais espaço para compartilhar experiências. Projetos voltados a crianças e idosos incluíram esses equipamentos como parte de ações de atenção integral à saúde. Há resultados positivos a respeito do uso dessas instalações por comunitários. E há problemas que poderão engessar a proposta na qual as academias ao ar livre estão vinculadas.

No meio urbano dispor desses equipamentos, com margem de segurança, representa um esforço a mais para enfrentar o sedentarismo e as doenças advindas com esse jeito de viver, a solidão e, ao mesmo tempo, construir novas sociabilidades. Mas, as academias exigem responsabilidade criteriosa do gestor público para que tenham manutenção e não se transformem em riscos reais à vida de seus usuários.

É o que ora acontece em Manaus, inúmeras instalações desse tipo estão corroídas pelo tempo e o espaço onde funcionam ocupados por outros públicos que, livres, ameaçam a integridade dos usuários. Os equipamentos precisam ser inspecionados, recuperados ou substituídos. As condições climáticas da região, altas temperatura e umidade, reforçam a necessidade de manutenção permanente dessas instalações. O que se constata na maioria delas é o sinal de abandono quanto a esse procedimento.

Investimentos altos foram feitos para que Manaus pudesse contar em determinadas áreas com academias ao ar livre e, a isso, houve retorno político-eleitoral. Construídas não podem ser transformadas em amontoado de ferros corroídos e peças quebras. Em outras comunidades, placas de construção de academias foram afixadas e até hoje nada foi feito. Cabe gestores públicos olharem para esse setor com atenção devida, tomar providências e prevenir situações mais drásticas. Deixar avançar a destruição dos equipamentos é fazer a opção pelo desperdício da verba pública, o risco de acidentes e alocar maior volume de recursos na recuperação. Ou ignorar esses espaços, abandonando-os completamente.