Sexta-feira, 07 de Agosto de 2020
Editorial

Ação contra o desemprego


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02/07/2020 às 09:05

Pela primeira vez, o País tem mais desocupados do que pessoas trabalhando. Esse é um dos efeitos danosos da pandemia do novo coronavírus, revelado recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Um panorama muito grave que indica o tamanho do desafio do País no período pós-pandemia. Um fato que precisa ser compreendido e enfrentado da melhor forma possível, com políticas públicas sólidas e bem desenhadas.

Aí reside um problema fundamental, o trato com políticas sociais nunca foi o forte da atual equipe econômica comandada pelo ministro Paulo Guedes. Ao contrário, a agenda liberal defendida por Guedes e seus subordinados defende o distanciamento máximo do governo em relação aos fenômenos econômicos, que devem seguir seu curso orgânico, com interferência governamental mínima.

A história, porém, nos ensina algo diferente. Com a crise iniciada em 1929 – a chamada “Grande Depressão” -, economistas tiveram que abandonar as ideias liberais e buscar novas abordagens, já que a atuação do Estado na economia tornara-se indispensável. Há enormes diferenças entre o cenário atual e o que ocorreu no mundo naquele período, quando o desemprego atingiu milhões de pessoas em todo o mundo, principalmente nos Estados Unidos, mas é certo que a recuperação passa pela ação direta do Estado, dando suporte à economia. Isso tem que ser feito por meio de programas de incentivo ao emprego e geração de renda, oferta de crédito para micro e pequenos negócios e uma ampla gama de serviços sociais para amenizar o empobrecimento da população.

Cabe ressaltar que essa agenda positiva não pode ser confundida com assistencialismo, uma vez que deve integrar um planejamento macro de recuperação, com previsão de ajustes graduais à medida que as metas forem sendo alcançadas. Ou seja, não se trata de criar mecanismos eternos de apoio social. Mas esse plano já deveria estar em estágio avançado de gestação, desenvolvido a toque de caixa pelas equipes do governo federal, em parceria com Estados e municípios. Não está. Em vez disso o Planalto segue batendo cabeça com seus próprios ministros. Mudar esse rumo é a prova de fogo para o governo, que diante da reação da sociedade à sua atitude belicista e errática, viu-se forçado a tentar algo novo desde o fim das eleições de 2018, governar com alguma harmonia entre os Poderes da República


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