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Editorial

Acordo pró-caixa 2

20/09/2016 às 20:38
Show deputados valendo01

Vinte dias após o impedimento da presidenta Dilma Roussef, parlamentares do Congresso Nacional estão em plena ação para anistiar o caixa 2.  A matéria está sendo tratada em regime quase secreto e de urgência primeiro na Câmara dos Deputados. É uma manobra para atenuar e liberar parlamentares envolvidos com essa modalidade de arrecadação de verba para campanhas políticas.

A performance da maioria dos deputados mostra o quanto a corrupção e o culto as práticas que a mantém estão enraizados no sistema de poderes do Brasil. Os mesmos parlamentares que em votação em 17 de abril, cuja conduta ficará como peça da memória do parlamento brasileiro, desfilaram as razões para o sim na admissibilidade do pedido de impeachment de Dilma, estão em tão pouco tempo costurando acordos para ajeitar o uso do caixa 2.

Eleitores e a sociedade organizada estão diante de uma situação grotesca. Ela não revela somente desrespeito aos brasileiros e às instituições e sim o caráter vulnerável de parcela expressiva dos parlamentares. O que parece é a completa falta de pudor e de limites desse grupo de legisladores quando se trata de fazer valer o que querem.

Houve mobilização expressiva dos cidadãos do Brasil para tornar possível a tramitação no Congresso Nacional do pacote anticorrupção apresentado pelo Ministério Público e Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), entre outras organizações. Dentro da Câmara, o pacote começa ser desmantelado a fim de numa futura aprovação garantir outros conteúdos. Se as mudanças propostas fossem para de fato aprimorar os procedimentos nas campanhas eleitorais e a conduta político-parlamentar-empresarial seria interessante. Lamentavelmente não é. O ponto que move a ação de deputados é para afrouxar as regras e criar subterfúgios para beneficiar usuários do caixa 2.

Não contabilizar de forma transparente os recursos usados pelos candidatos é dizer sim à permanência do sistema de corrupção. É o que está sendo feito nesse momento até então na surdina. Não se ignora a necessidade de verba para fazer o ritual de campanha de uma candidatura, no entanto, já se ultrapassou o nível de aceitável os negócios feitos via caixa 2 para repasse de dinheiro a esse ou aquele candidato. É possível fazer campanha política sem os negócios ilícitos. Com a estrutura vigente, a proposta não passa e é tratada como piada.