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Editorial

Administração pública e meritocracia

05/06/2016 às 13:19
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A meritocracia tem sido noção usada mais em discurso de campanha político-eleitoral que na lógica da administração pública brasileira. Há profunda banalização desse preceito embora, como expressão, esteja na ponta da língua de gestores públicos numa referência distante do que efetivamente deveria ser. Em Manaus, a Secretaria Municipal de Finanças e Tecnologia, sob o comando do executivo Ulisses Tapajós, tem o compromisso de fazer valer o poder do mérito no âmbito da prefeitura.

Tapajós, em entrevista publicada neste domingo, explica como vem fazendo nos últimos três anos para instituir no ambiente da administração municipal a meritocracia. Uma meta audaciosa e que se estabelece sobre uma linha tecida entre a forte cultura do apadrinhamento político-partidário, dos empregos temporários por razões de quitação de débitos e favores constituídos na formação dos acordos pró-eleição. É difícil mexer numa estrutura administrativa montada há muito tempo com essa feição e, mais, alterar essa base exige determinação e coragem para ferir interesses de grupos fortes beneficiários do modelo.

Ulisses Tapajós afirma que se dispôs a caminhar nessa direção, experimentando no campo da iniciativa pública o que rendeu êxito ao executivo na área privada. A Prefeitura de Manaus não conseguiu até agora, a cinco meses do término da gestão do PSDB, mostrar no que avançou e em quais setores a meritocracia é realidade. Se conseguir estabelecer uma base para esse passo já será uma conquista relevante. O mérito enquanto instrumento da boa prática administrativa ganhou, lamentavelmente, conotação negativa confundindo-o com a capacidade nefasta da bajulação, da improbidade, inapetência e da perseguição funcional.

Uma avaliação um pouco mais criteriosa mostra, em todos os níveis de governo, as formas de manutenção e de ascensão funcional e da respectiva melhoria salarial. Não são os técnicos e suas habilidades profissionais, o comportamento ético e moral, a valorização institucional, que estão nesse patamar valorativo. Ao contrário, o séquito reunido a partir das escolhas pessoais ou por obrigação de honrar compromissos é que tem sido eleito com os eleitos para inchar a máquina administrativa. A história desses episódios é farta.

Invocar a meritocracia naquilo em que ela realmente o é tornou-se uma necessidade mais que dever para retirar a administração pública do estado de decadência em que foi submetida. Que no caso da Prefeitura de Manaus esse passo seja visível. 

Foto: Clóvis Miranda