Terça-feira, 19 de Novembro de 2019
Editorial

Além da questão ambiental


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30/10/2019 às 06:56

O derramamento de óleo que vem poluindo as praias do Nordeste desde agosto não é “apenas” uma das maiores tragédias ambientais da história recente do País. As consequências do desastre não devem se limitar aos efeitos nocivos sobre a fauna e flora marinha e litorânea, tampouco restringir-se aos Estados nordestinos atingidos pelas manchas de óleo que continuam surgindo nas praias sem qualquer indicativo de quando vão parar. 

O turismo já está sendo atingido. Vale lembrar que as praias do Nordeste estão entre os principais destinos do turismo doméstico e também de milhares de visitantes estrangeiros que lotam as praias todos os anos em busca das belezas do litoral brasileiro. Eventual redução nesse fluxo turístico não vai prejudicar apenas a economia dos Estados nordestinos, mas de todo o País, que pode deixar de movimentar os milhões trazidos pelos turistas. 

No Amazonas, o Nordeste é o destino preferido de aproximadamente 40% dos viajantes no período de férias. Donos de agências de turismo em Manaus torcem para a rápida solução da crise ambiental pensando nas vendas para o período de férias. Turistas  com passagens compradas acompanham com expectativa as notícias nada animadoras sobre o desenrolar do caso. 
Ontem, as manchas de óleo chegaram a Abrolhos, no Sul da Bahia, podendo atingir nos próximos dias o Parque Nacional com riquíssima biodiversidade e de valor inestimável para o equilíbrio ecológico no Atlântico Sul. 

A questão ambiental precisa ser encarada em toda sua complexidade, considerando suas relações estreitas com a economia e com a sociedade. Desde a origem, não é um problema do Nordeste, trata-se de uma tragédia de proporções nacionais que precisa ter a total atenção de todos. Divergências de cunho político e ideológico devem ser deixadas de lado nesse momento de dificuldade. Sociedade, governos estaduais e federal precisam unir esforços e colocar em prática ações emergenciais que não podem se restringir a recolher óleo das praias. Deve haver alguma forma de conter ou pelo menos atenuar o avanço do óleo. O País já poderia ter solicitado ajuda externa, já que os esforços internos não vem surtindo efeitos e o óleo continua avançando. Não há mais tempo a perder.


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