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Editorial

Alheios ao drama do País

31/05/2017 às 23:17 - Atualizado em 31/05/2017 às 23:23
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O presidente Michel Temer consegue manter o sorriso para o País. Sustenta a imagem de que o Brasil, o Governo e o Congresso Nacional vivem em clima de ampla normalidade. Assim o fez no encontro com empresários em São Paulo e na posse do terceiro ministro da Justiça, Torquato Jardim. Ao mesmo tempo em que os afagos e manobras são realizados, a outra face mostra dados que confrontam os risos e sorrisos.  A Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios Continua (Pnad Continua), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta 14,2 milhões de pessoas desempregadas considerando o primeiro trimestre deste ano.

A tentativa de construir pactos nada republicanos aparece como questão maior. Na operação ‘salve-se quem puder’, o governo Temer engrossa a fala e assume compromissos para os quais não tem estofo. As consultas a essas declarações e às cenas de quase festividade no poder produzem a uma parcela expressiva de brasileiros a sensação de que estão sendo provocados, tripudiados em suas dificuldades. Quais as razões desse comportamento festivo por parte dessas autoridades?

No mínimo, o presidente da República, pela situação em que se encontra, e parte dos parlamentares que lhe dão sustentação no Congresso deveria agir com mais cautela em suas aparições públicas. Ainda que alguns estrategistas o levem a essa postura de quem está numa festa, os indicadores políticos, econômicos, sociais, já que bom senso parecer palavra fora de uso, são fortes o suficiente para mostrar o aprofundamento da crise ética e a rejeição a Temer.

O País acompanha a movimentação de determinadores atores, os deslocamentos e apreensões manifestas com sinais de acordão para estender a permanência de Michel Temer e minimizar tomadas de decisão que poderiam representar o começo de uma mudança de atitude no trato das coisas públicas. Temer parece ter margem para agir e sufocar reações que poderiam lhe custar caro, como a do deputado afastado Rocha Loures (PMDB-PR), à espera da indicação de um nome do seu partido para o Ministério da Cultura ou da Transparência, garantido a ele o foro privilegiado. Loures, o “deputado da mala”, que já foi solução no encaminhamento de dinheiro de propina é, hoje, um problema sério, apesar dos risos oficiais.