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Editorial

Alimentação perigosa

19/02/2017 às 21:48
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Merenda escolar é coisa séria. Basta lembrar que muitas crianças, nas regiões mais pobres do Brasil,  vão à escola não apenas para estudar, mas também na esperança de fazer pelo menos uma refeição no dia. Daí a importância da auditoria realizada pelo Ministério da Transparência sobre a aplicação dos recursos destinados à merenda e também sobre as condições de armazenamento e preparo dos alimentos.

  O cenário que foi descortinado pelo Ministério é de horror, com muitas cozinhas improvisadas, alimentos guardados sem qualquer cuidado com a higiene, dividindo espaço até mesmo com fezes de animais. Ocorrências assim foram verificadas em muitos municípios, inclusive no Amazonas.

Há tempos, as prefeituras municipais da Região Norte lutam para ter fatias maiores  de recursos para a Educação, sob o argumento de que construir e manter escolas na Amazônia requer despesas extras para vencer a complexa logística. O transporte e armazenamento da merenda é colocado sob a mesma lógica. No entanto, será difícil convencer o governo a liberar mais recursos enquanto os problemas identificados pelo Ministério da Transparência não forem resolvidos. No caso específico do Amazonas, o relatório cita três municípios: Juruá, Urucurituba e Iranduba. A Prefeitura de Juruá terá que devolver pelo menos R$ 67,5 mil em recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) que foram gastos sem a devida comprovação. Isso não isenta a Prefeitura de ter que explicar em quê os recursos foram de fato aplicados sob pena de ser alvo de ação por improbidade.

 Já em Urucurituba e Iranduba, o que faltou foram providências pontuais, como contratação de nutricionista e armazenamento dos alimentos em estrutura adequada.

Em tudo que diz respeito às crianças, toda a atenção e cuidado são necessários, sobretudo em ambiente escolar. É onde a criança vai complementar o aprendizado que traz de casa, moldando seu caráter e definindo o tipo de cidadão que será. Estar bem alimentado, sem correr riscos por eventuais problemas na armazenagem ou preparo dos alimentos é um direito básico. É dever do estado assegurar a correta aplicação dos recursos do Pnae, assim como é dever da sociedade acompanhar e cobrar o uso transparente dessa e de toda verba pública.