Sábado, 18 de Setembro de 2021
Editorial

Alto Solimões manda recado


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03/08/2021 às 07:51

Os relatos vindos da região do Alto Solimões demonstram o quanto os governos federal, estadual e municipal ignoraram e ignoram as peculiaridades da pandemia da Covid-19. Na região da tríplice fronteira e uma expressiva concentração de povos indígenas, como os ticunas, era esperada uma ação mais ágil e vigorosa.

Aliás, os governos dos países dessa região deveriam ter se mobilizado e formado um pacto no enfrentamento da Covid-19. A região, em todos os aspectos e, principalmente numa pandemia, exige pensar outras formas de governabilidade e de atuação conjunta entre países. De modo geral, prevalece uma marca da história mais recente, a do abandono das populações que ali vivem.

Com o avanço da cepa Delta, a pandemia concretiza outra onda de ameaça e, se medidas corretas não forem adotadas, poderá levar os países a dar passos para trás, o que significa endurecer nas medidas restritivas e brecar algumas atividades e serviços que recomeçaram há poucos meses. Nos EUA e no Japão, os dados já impactam a volta à ‘normalidade’. No Brasil, alguns Estados registram o aumento de casos de contaminação pelo Delta.

No Alto Solimões, o cenário exige ações imediatas na região e em cidades como Manaus que têm conexão contínua com aquela área. O mesmo vale para as cidades dos outros países que compõem a tríplice fronteira. Não se faz um eficiente controle anti-virus da forma como as ações governamentais estão se dando. Aos prefeitos fica a missão de lidar diretamente com a situação de avanço dos casos de contaminação, da pressão dos moradores e da demanda que vem se tornando reprimida.

É no mínimo impressionante a postura governamental em relação a pandemia. No Brasil e, em recorte, nessas regiões fronteiriças, a atitude dos governos se equivale ao descaso, a manutenção de uma postura que é de minimizar o contágio e o número de pessoas doentes e do risco de o país voltar a ter a rede hospitalar colapsada. A impressão que fica é que o governo federal, o que deveria liderar o movimento anti-Covid-19, não leva a sério os efeitos da pandemia na economia e na série de consequências que esse fator produz, como o desemprego, a fome e o desespero.


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