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Editorial

Amazonas em situação de aperto

05/12/2018 às 07:18
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A anunciada reestruturação do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) chega no momento em que a Zona Franca de Manaus, como agencia de desenvolvimento regional, está sendo desmantelada e deixa o Estado do Amazonas em situação de profunda fragilidade. O CBA que nunca conseguiu funcionar de fato nasceu como parte da ideia maior em torno do projeto ZFM, o de trabalhar com indústria limpa e, no conjunto, ser espaço e suporte para fazer avançar nas pesquisas biotecnológicas e na cadeia de produção nesse campo.

Foram muitos os braços desenhados para o CBA e todos eles pensados com indutores que, ao final, proporcionariam um novo patamar da ciência e da inovação tecnológica na Amazônia Ocidental. A outra face desse projeto seria novos postos de trabalho e um novo posicionamento regional na formação de pesquisadores e na geração de produtos a partir dos bens da floresta amazônica.

Emperrado pela burocracia nacional e pelo compromisso desta com uma parte do País, o CBA foi transformado em um grande problema que mais afetava os amazonenses do que as autoridades em Brasília. Ao mesmo tempo, o modelo Zona Franca sofre uma série de ataques que gradativamente o descaracteriza e afugenta empresas aqui instalada. Inúmeras delas já se foram e outras anunciam o desmonte de suas unidades no Polo Industrial de Manaus (PIM) porque já não encontram motivações fiscais para permanecerem.

O desemprego aumenta, cai a renda do trabalhador e da família e a informalidade passa a ser a única saída para uma parcela desses trabalhadores. A economia amazonense está numa encruzilhada onde qualquer um dos caminhos representa crise aguda. O Estado, como estudiosos repetem há décadas, não produziu outros espaços de produção econômica para enfrentar o pós-ZFM. O passo que mais avançou nessa direção foi o do CBA, mantido inativo. Qual é a situação do Amazonas sem a ZFM? Ou com uma ZFM debilitada pelo afunilamento da atividade industrial?

É esse o cenário que está desenhado para 2019, com a primeira versão já colocada ao longo deste ano. A população estadual aumentou, a pressão por trabalho, moradia e serviços básicos triplicou, ou seja, há demanda maior enquanto a economia patina. O quadro gera, como consequência, mais violência e angústia aos que vivem no Amazonas, principalmente em Manaus que concentra a maioria dos habitantes.