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Editorial

Amazonas mais dependente

02/06/2018 às 17:14 - Atualizado em 02/06/2018 às 17:24
Show tamba

Os números apresentados pela direção do Sindicato dos Feirantes do Estado do Amazonas (Sindifeiras-AM) repõem na cena pública o elevado nível de dependência do  Amazonas à importação de alimentos. Oitenta por cento do que é consumido em Manaus e nos demais 61 municípios amazonenses são comprados em outros países ou em outros Estados brasileiros.

Um dos alimentos mais apreciados no Estado e na linha de frente das iguarias amazonenses de recepção aos turistas, a calderada de tambaqui é praticamente importada. A escassez de produtos alimentícios e a obrigatoriedade de importar elevam os preços e faz com que Manaus tenha um custo alto nesse item o que limita o acesso das famílias mais carentes à alimentação diversificada e mais saudável.

A matéria da primeira página do caderno de economia deste domingo descreve o cenário da dependência do Amazonas aos alimentos externos e os efeitos da greve dos caminhoneiros para o Estado. Ao mesmo tempo atualiza perguntas sobre o porquê da manutenção desse quadro. Qual política de governo está sendo desenvolvida para projetar a superação desta realidade? O incentivo à agricultura familiar, a partir de pequenos produtores, há muito está sendo colocado como necessidade urgente em todo o Amazonas. Por meio desse modelo não somente o Estado teria condições de reduzir gastos com a importação como passaria a gerar mais postos de trabalho, maior circulação de recursos financeiros e melhor qualidade de vida à população.

O conhecimento produzido nessa área possibilita realizar projetos que podem ser parte da política publica alimentícia. São pesquisas produzidas no âmbito da Embrapa, do Inpa, da Ufam e UEA que deveriam ser reunidas e manejadas para ampliar a auto-sustentabilidade do Amazonas em alimentos. O quadro ora exposto deveria ser em si mesmo a motivação para pensar e promover ações que representem a vontade política de superá-lo, o que envolve fortalecer as instituições de ensino e pesquisa, da fundação de apoio à pesquisa e à inovação tecnológica, apoiar a autonomia nesses setores, e animar estudantes desde a primeira fase de ensino nessa perspectiva. Um posicionamento dessa natureza impulsionaria uma cultura em favor do Amazonas, diversificada e em sintonia com os saberes dos povos da região dando à gestão da terra outro valor e significado.