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Editorial

Amazonas precisa reagir contra a Aids

11/12/2017 às 21:25
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A luta contra a Aids parece ter arrefecido no Amazonas tendo como consequência o expressivo aumento no número de casos, que dobrou nos últimos dez anos. Apesar de não ser mais o “monstro” que já foi nas décadas de 1980 e 1990, quando milhões morreram em decorrência da doença, o crescimento no número de infectados é preocupante, principalmente porque, mesmo com o avanço no tratamento, a Aids ainda mata. Só no ano passado, a doença levou 340 pessoas à morte no Estado, deixando o Amazonas na terceira posição no ranking de mortalidade relacionada à Aids no País. Os pesquisadores divergem sobre os motivos que levaram a essa escalada da Aids no Amazonas. Para alguns, o próprio aperfeiçoamento do tratamento, que permite aos portadores do vírus HIV levar uma vida praticamente normal, embora permanentemente dependente de medicamentos, é um dos motivos. O consenso é que algo precisa ser feito. Afinal, a liberação de medicamentos aos infectados consome alguns milhões de reais por ano.

As ações da campanha “dezembro vermelho”, dedicada à conscientização a respeito da doença, precisam ter reflexos ao longo de todo ano. A melhor arma contra a doença é a informação, direcionada principalmente aos jovens, população na qual  a doença mais tem crescido. A resistência em adotar métodos de prevenção nas relações sexuais é um problema a ser superado e que parece ser muito intenso entre os jovens amazonenses.

A escola também tem papel fundamental nisso. Infelizmente, com a lamentável onda moralista que avança no País, falar de educação sexual e doenças sexualmente transmissíveis passa a ser visto como tabu e até mesmo ataque à boa formação dos estudantes. A ignorância apenas contribui para o avanço da doença e de preconceitos absurdos.

O preconceito, aliás, é algo que se mantém firme e forte desde a epidemia de três décadas atrás. Não é à toa que muitos soropositivos optam por esconder a doença de amigos e até mesmo da família. A ignorância é tanta que ainda hoje há quem evite tocar objetos manuseados por um portador de HIV ou até mesmo manter contato com o doente.

Em todo o mundo a Aids tem retrocedido a passos largos. O Amazonas não pode andar na contramão desse avanço.